No arranque desta temporada, Cristiano Ronaldo está a ter uma nova experiência que ainda não tinha tido desde que trocou Madrid por Turim. Se a época de estreia em Itália foi também um autêntico passeio no parque a nível interno, em que a Juventus se sagrou octocampeã diversas semanas antes do fim do Campeonato, este arranque de temporada está a ser dificultado pelo enorme momento de forma do Inter Milão e pela injeção de qualidade e critério que Antonio Conte veio trazer aos nerazzurri. Há mais de ano e meio que a Juventus não entrava pressionada nas jornadas, a depender de uma vitória e de três pontos a cada fim de semana para evitar perder a liderança da tabela. Este domingo, depois de o Inter ter vencido o Verona de Miguel Veloso no Giuseppe Meazza, a história não era diferente.

Num clássico do futebol italiano, a Juventus recebia em Turim o AC Milan e tinha de ganhar para voltar ao primeiro lugar da Serie A. Na ressaca de uma vitória tirada a ferros a meio da semana, na Rússia perante o Lokomotiv Moscovo com um golo de Douglas Costa no terceiro minuto de descontos, Maurizio Sarri só mantinha Pjanic no meio-campo e dava a titularidade a Bentancur, Matuidi e Bernardeschi, em detrimento de Rabiot, Khedira e Ramsey. Cuadrado entrava para o onze mas a lateral direita da defesa, caindo Danilo para o banco, e Cristiano Ronaldo mantinha a parceria com Higuaín na frente de ataque.

Do golo tirado por Ramsey à substituição de Sarri, tudo correu mal a Ronaldo – mas bem à Juventus

Cristiano Ronaldo que, segundo Douglas Costa, teve no balneário da Juventus uma influência que era até agora desconhecida. Se as assistências, os golos, os lances e as vitórias ficam, semana após semana, à vista de todos, a verdade é que o impacto da chegada do jogador português a Turim durante o verão de 2018 se estendeu de forma quase invisível até cada um dos colegas. O avançado brasileiro, em entrevista ao Esporte Interativo, explicou que o índice de massa gorda de todos os jogadores da Juventus desceu desde que Ronaldo trocou o Real Madrid pelo clube italiano. “O físico dele é impressionante. Sempre que tira a camisola faz com que todos queiram ter um corpo como o dele. Desde que chegou ao clube, a percentagem de gordura corporal no grupo de trabalho diminuiu”, explicou Douglas Costa, revelando ainda que o jogador português deu dicas de alimentação saudável e exercícios físico aos colegas para que todos ficassem mais perto dos impressionantes 7% de massa gorda que ele próprio tem.

Além dos 7%, existia outro número que este domingo estava na cabeça de Cristiano Ronaldo, dos adeptos da Juventus, dos portugueses e dos entusiastas de futebol no geral. Contra o AC Milan, o jogador português realizou o jogo 1000 da carreira profissional, um número redondo que se estende ao longo de Sporting, Manchester United, Real Madrid, Juventus e Seleção Nacional e que casa com os 709 golos marcados a nível oficial. Ronaldo poderia ter inaugurado o marcador ainda durante a primeira parte da receção ao AC Milan, já que a equipa de Stefano Pioli ofereceu por completo a iniciativa ao adversário nos primeiros minutos do jogo, mas acabou por assistir a duas oportunidades — uma de Piatek, outra de Paquetá — que poderiam ter gelado o Allianz Arena para abrir caminho à surpresa.

Pjanic foi o único elemento do meio-campo da Juventus que resistiu entre a ida à Rússia e a receção ao AC Milan

Na segunda parte, o nulo manteve-se e Maurizio Sarri decidiu repetir a opção que muito deu que falar a meio da semana: tirou Cristiano Ronaldo, logo aos dez minutos do segundo tempo, e lançou Dybala. O jogador português, assim como aconteceu contra o Lokomotiv, pareceu não ficar muito satisfeito com a substituição e saiu diretamente para o balneário, sem passar pelo banco de suplentes. O treinador italiano insistiu também com a entrada de Douglas Costa, para tentar originar o efeito que o avançado brasileiro teve na equipa com o Lokomotiv. Pioli respondeu com a entrada do português Rafael Leão, que foi para o lugar de Piatek, e ambos os treinadores mostravam nos últimos 20 minutos que tinham o objetivo de sair da partida com os três pontos. O AC Milan, que vive uma temporada difícil e está a meio da tabela, com 12 pontos, ia olhando para uma vitória perante a Juventus como o catalisador necessário para uma época que já será em formato de retoma; já a Juventus assistia ao passar dos minutos no relógio e sentia na pele o encurtar da janela de oportunidade para regressar à liderança da classificação.

Dybala, que entrou para o lugar de Ronaldo, acabou por confirmar o momento eficaz que atravessa ao marcar o golo da vitória com assistência de Higuaín (77′) e garantiu os três pontos à Juventus, que recuperou assim a liderança da liga italiana e voltou a empurrar o Inter para o segundo lugar. No dia em que chegou aos mil jogos enquanto jogador profissional, Cristiano Ronaldo ganhou mas jogou apenas 55 minutos e não conseguiu marcar, naquela que foi uma exibição discreta do capitão da Seleção Nacional, que não parece estar a 100% fisicamente e que já foi substituído tantas vezes em 2019/10 como em toda a temporada 2018/19 (duas).