A Land Rover tem no Discovery Sport um dos seus modelos com maior potencial, o que se comprova por ser o mais vendido. Em vez de tentar ser o que não é, nem pode ser, um desportivo, o popular 4×4 deste fabricante inglês é exactamente o que os clientes esperam dele, um SUV agradável de conduzir em estradas de asfalto e imbatível em estradas de terra. E quanto mais torrões, pedras e buracos lhe meterem ao caminho melhor, pois é precisamente para isso que ele foi concebido.

De acordo com o fabricante, o Discovery nasceu há 30 anos e originalmente foi concebido para substituir o Defender, mas como este insistiu em continuar a vender acima das expectativas, o novo modelo viu-se obrigado a ter uma vida própria. O Discovery Sport é ligeiramente mais pequeno e mais ágil, mas nada disto lhe belisca a versatilidade, continuando a manter intactas as excelentes características para circular fora de estrada e um habitáculo onde cabem até 7 pessoas (5+2), notável para o jipe mais acessível do fabricante, disponível entre nós por valores a partir de 42 mil euros.

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Nova plataforma a pensar na electrificação

Na indústria automóvel, muitas vezes, parar é morrer e o fabricante britânico necessitava de fazer evoluir o seu jipe mais popular, versátil e acessível de forma a poder usufruir, entre outros trunfos, de mecânicas electrificadas que lhe baixassem os consumos e as emissões, o que supõe um local para alojar baterias e um motor eléctrico. Daí que o primeiro ponto na ordem de trabalhos para o novo Discovery Sport – o anterior surgiu apenas em 2015 – consistiu em trocar a plataforma antiga pela nova PTA, de Premium Transverse Architecture, a mesma utilizada na versão mais recente do Range Rover Evoque.

Mais leve e mais rígida, apresentando neste ponto um ganho de 13%, assegura uma maior facilidade em montar motores com alguma assistência eléctrica, os mild hybrid, mas num futuro próximo (ainda este ano) vai servir de base para a versão híbrida plug-in (PHEV).

Em termos estéticos, o renovado Discovery Sport passa a ser mais sport, a começar pelos novos faróis LED à frente, com uma nova assinatura luminosa, uma grelha mais integrada e uns novos pára-choques, tudo a recordar as soluções estéticas do belo Evoque. Na traseira há novos pára-choques e farolins, estes a recorrer ao sistema LED, com as jantes de 21 polegadas a fazer a diferença e a melhorar a estética do conjunto.

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Motores para já mild hybrid. PHEV vem a seguir

Ao serviço do Discovery Sport estão vários motores a gasolina e a gasóleo, todos eles da família Ingenium. Os turbodiesel vão do D150 (com 150 cv) até ao D240, passando pela versão intermédia, o D180, para depois as unidades a gasolina oferecerem as versões P200 (com 200 cv) e P250. A curiosidade é que todos os motores têm quatro cilindros e dois litros de capacidade, variando a potência devido à pressão de sobrealimentação e sofisticação do motor.

A versão mais simples e mais barata, o D150, é a única que pode ser proposta com apenas tracção à frente e com caixa manual de seis velocidades. Todas as outras versões recorrem à tracção integral (AWD) e montam o sistema mild hybrid a 48 volts, o que permite poupar 7% no consumo e reduzir em 10g as emissões de CO2, segundo a Land Rover.

A solução mild hybrid da Land Rover é similar às que caracterizam os modelos germânicos, com um novo motor eléctrico a desempenhar o papel de alternador/motor de arranque, ligado ao motor de combustão por correia dentada para reduzir o ruído. Sempre que o condutor circula abaixo de 17 km/h e desacelera – a aproximar-se de um semáforo, de um stop ou de um veículo parado -, o motor pára de imediato, para depois voltar a trabalhar assim que o condutor pressiona o acelerador. Uma pequena bateria de iões de lítio com 200 Wh armazena energia durante as desacelerações e travagens, para depois reforçar a potência do motor de combustão, permitindo-lhe andar mais com menos pressão no acelerador, poupando nos consumos e emissões.

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Por dentro cada vez mais civilizado

O Discovery Sport surpreende pela positiva assim que entramos a bordo. Com um tablier mais clean e com um estilo decalcado do Evoque, senta bem quem está ao volante, que à sua frente passa a ter um volante multifunções a partir do qual pode controlar grande parte das funcionalidades do veículo. Ao centro na consola está o comando da caixa automática de velocidades – com nove mudanças produzida pela ZF –, excepção feita se se tratar do D150 com apenas 4×2 e caixa manual.

Disponível com os acabamentos S, SE e HSE, além da variante R-Dynamic, o Discovery Sport conta com um painel de instrumentos digital e ecrã de 10” ao centro do tablier, similar ao que equipa o Evoque e o Velar. Espaço à frente e na fila central não falta, sendo que esta regula longitudinalmente para deixar mais espaço para as pernas de quem ocupa a terceira fila de bancos, ideal para crianças, mas que também pode acolher adultos durante deslocações mais reduzidas. O retrovisor interior pode recorrer a uma câmara montada na antena tipo barbatana de tubarão sobre o tejadilho, caso pessoas ou volumes impeçam a visibilidade para trás, mas nada disto impressiona tanto quanto a capacidade do SUV digerir mau piso, além de subidas e descidas de cortar a respiração.

Conduzimos o D240 com caixa automática e sistema AWD através de uma pista bastante tortuosa, com subidas e descidas de cortar a respiração. O ClearSight Ground View e o Transparent Bonnet são tecnologias que nos permitem ver onde colocamos as rodas, mesmo quando a inclinação nos impede de ver por onde vamos, mas é o Terrain Response 2 que automaticamente, sem qualquer intervenção do condutor, realiza todo o trabalho, colocando a potência na roda em que ela é necessária e na quantidade ideal.

Depois trocámos a versão diesel pela gasolina, na ocasião um P200, e em estrada apreciámos a suavidade e o silêncio que esta mecânica assegura face às mais populares a gasóleo. E até os consumos nos pareceram interessantes, pois o Active Driveline e sobretudo o Driveline Disconnect permitem rodar em velocidade de cruzeiro, quando não há perdas de aderência, com apenas tracção à frente, diminuindo o consumo.

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Discovery Sport com versão à portuguesa

O nosso mercado tem uma série de especificidades, que obrigam os fabricantes a alguma agilidade e criatividade para evitar não ser prejudicados por um sistema fiscal desajustado e nada eficiente. Assim, as versões normais do Discovery Sport são atiradas para Classe 2 nas portagens – o que torna a utilização do modelo desinteressante para muitos utilizadores – e para um preço mais elevado pelos maiores consumos.

A Land Rover em Portugal resolveu o problema ao propor uma versão Discovery Sport D150 FWD, com apenas tracção à frente, o que permite reduzir o preço para somente 42 mil euros. De caminho, o facto de ter tracção apenas a um eixo e sete lugares faz com que seja promovida a Classe 1, outra vantagem importante para muitos potenciais interessados.