Cristiano Ronaldo nunca esteve mais do que três jogos seguidos pela Juventus sem marcar desde que chegou a Turim, no verão de 2018. Nesta altura, após ficar em branco com Torino, Lokomotiv Moscovo e AC Milan, voltou a igualar esse jejum máximo. No entanto, e pela primeira vez, foi substituído em dois encontros consecutivos, desta feita quando estavam apenas decorridos dez minutos da segunda parte (e Dybala, que entrou, marcou e decidiu o resultado final). O que se viu foi o português a seguir diretamente para os balneários, o que se soube a seguir foi que terá rumado de imediato a casa. O avançado vive o momento mais conturbado desde que chegou à Serie A e, na ressaca do episódio foi criticado pela atitude e pela falta de rendimento na Vecchia Signora.

“Ronaldo é um grande campeão, isso é indiscutível, mas neste momento não está bem e foi correto retirá-lo do campo. Se Sarri foi corajoso? É preciso personalidade para fazer essa mudança e no final ganhou o jogo. Não se sentar no banco e de ter respondido mal ao Sarri, não é bonito. É preciso ser-se um campeão até mesmo quando se é substituído e não apenas quando as coisas correm bem. Ele não está bem e o Dybala está em grande forma. A verdade é que o Ronaldo não dribla um adversário há três anos. Lembro-me quando ele passava pelos jogadores e os deixava lá, plantados. Isso já não acontece, quem o faz agora é o Dybala e o Douglas Costa”, comentou Fabio Capello, técnico que foi campeão europeu de clubes e passou pelo comando da Juventus.

“O que teria dito a Ronaldo se fosse o Sarri? Que ele tem de respeitar os companheiros. E ter-lhe-ia dito que se ele saiu foi porque estava a tentar ganhar o jogo”, acrescentou, em declarações ao canal italiano Sky.

Alberto Zaccheroni, antigo técnico dos bianconeri, deu igualmente razão a Sarri na questão do momento em Itália. “Também tive várias primas-donas, a única diferença entre as primas-donas é o envelope com o salário e não o favoritismo em campo. O Ronaldo não está num momento brilhante e o Sarri é o líder da equipa, é quem decide. O treinador, com a tática, pode mudar o jogo, mas são os jogadores que jogam, que fazem a diferença lá dentro. Mas não creio que vá ser multado por ter ido para os balneários”, disse à rádio Anch’lo Sport.

Antes, na conferência de imprensa após a vitória da Juve por 1-0 frente ao rival AC Milan, Maurizio Sarri tinha explicado os motivos da substituição, agradecendo ao português pelo esforço que teve para tentar ajudar a equipa perante algumas limitações físicas que o estarão a perturbar nas últimas semanas de competição.

“Temos de agradecer a Ronaldo, pois sacrificou-se para estar aqui esta noite numa situação difícil. Fez tudo o que lhe era possível para jogar. Constatei que não estava bem e achei melhor tirá-lo. É natural que um jogador esteja irritado quando sai de campo, especialmente quando trabalhou tanto para ali estar. Quem tenta dar o máximo fica chateado quando é substituído. Ficaria preocupado era se ele não estivesse aborrecido. Tem vindo a debater-se no último mês com um pequeno problema no joelho. Sofreu uma pancada num treino e magoou o ligamento colateral. Quando joga ou treina a uma alta intensidade, o problema desequilibra-o. Tenta compensar e magoa os gémeos e os músculos da coxa”, comentou o treinador do conjunto campeão italiano.

No meio das críticas, Cristiano Ronaldo, que se irá concentrar esta segunda-feira com a Seleção Nacional para os últimos dois jogos de qualificação para o Campeonato da Europa frente a Lituânia e Luxemburgo (assim esteja apto em termos físicos, uma dúvida que se levantou depois das declarações de Sarri), voltou às redes sociais com uma única frase com quatro palavras sobre a partida com o AC Milan: “Jogo difícil, vitória importante”.