Uma “barreira de contenção contra o separatismo e a legislação autoritária dos progressistas”. Depois de uma reunião do partido, Santiago Abascal garantiu esta segunda-feira que o Vox vai ser uma força da oposição “firme e de vigilância estreita” contra o governo do PSOE e vai exigir a “restauração completa da ordem constitucional na Catalunha”.

Num discurso de rescaldo das eleições deste domingo, onde o Vox conseguiu passar de 24 para 52 deputados, o líder do partido começou por manifestar “grande preocupação com o que se está a passar na Catalunha” e falou num “sentimento de impunidade” de uma “onda separatista que decidiu cortar estradas e estrangular mais uma vez a economia”. “Exigimos que se restabeleça a normalidade na Catalunha”, referiu ainda.

Sobre os resultados do partido nestas eleições, que tornaram o Vox na terceira força política em Espanha, Abascal não deixa de sublinhar que foram “extraordinários” e atirou ainda: “Estes resultados tornam o Vox numa autêntica barreira de contenção e uma esperança para milhões de espanhóis. Uma barreira de contenção contra o separatismo e a legislação autoritária dos progressistas que, pela primeira vez em muito tempo, vão ter uma oposição firme e uma vigilância estreita”.

Há três milhões e 640 mil espanhóis que não estão a fabricar explosivos, que não estão a cortar estradas, que não estão a ameaçar os partidos políticos, que não estão a atacar a ordem constitucional, que não estão a questionar o sistema democrático e que não atacam a unidade nacional. Representamos os trabalhadores, as famílias, os homens e mulheres jovens que procuram um futuro, que estão preocupados com o bem comum, que são gente boa e pacífica”, afirmou ainda Santiago Abascal.

Segundo o líder do Vox, há uma “criminalização” que se tem vindo a assistir contra quem votou neste partido e os meios de comunicação são os responsáveis por “qualquer ameaça de agressão contra as famílias” dos membros do partido.

Sobre a formação de governo em Espanha, que mais uma vez vive num impasse porque nem esquerda nem direita conseguiram a maioria absoluta, Abascal começa por dizer que este assunto “não é responsabilidade do Vox”. “Os espanhóis votaram em nós para fazer oposição. Votaremos contra qualquer governo liderado ou integrado com o PSOE.

Já em resposta ao discurso de Pedro Sánchez, que no domingo fez um apelo a todos os partidos políticos, exceto os que “se centram no discurso do ódio”, para conversar, o líder do Vox ripostou dizendo que “o único discurso de ódio vem do presidente do governo”. Acrescentou ainda que a queda a pique do Ciudadanos “foi importante”, mas reconheceu o papel de Albert Rivera, que apresentou esta segunda-feira a sua demissão, na “defesa do patriotismo e da liberdade da Espanha”.

Nas eleições gerais deste domingo em Espanha, o PSOE voltou a vencer mas, mais uma vez, sem conseguir a maioria absoluta e perdendo ainda deputados. O PP foi a segunda força política mais votada, tendo conseguido recuperar deputados, e o Vox tornou-se na terceira força política na Espanha, mais do que duplicando os seus assentos parlamentares. Em quarto surgiu o Podemos e a grande queda foi do Ciudadanos, que viu o seu número de deputados passar de 57 para 10.