O cirurgião José Fragata avisou esta terça-feira que o Serviço Nacional de Saúde pode estar “muito perto do ponto de não retorno”, defendendo que a saúde “tem mesmo de ser uma prioridade” na atual legislatura.

Num discurso na Convenção Nacional de Saúde, que decorre esta terça-feira em Lisboa, o médico e vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa aludiu à “diáspora médica” e à saída do serviço público de saúde de muitos profissionais, também enfermeiros.

Lembrando que desde 2014 saíram do país mais de dois mil médicos, José Fragata salientou que muitos dos profissionais que saem de Portugal ou do sistema público já não regressam mais.

“É preciso atuar agora. Só um maior investimento já não é suficiente. Começam a faltar-nos pessoas”, alertou.

José Fragata lamentou que o nível de financiamento público da saúde seja “semelhante ao do México”, um país “que não prima por ter um bom sistema de saúde”.

“O subfinanciamento do SNS pode conduzir ao que se passou com o cavalo do escocês, que foi sendo alimentado cada vez com menos e com ração que o escocês ia cativando. Quando já estava acostumado, morreu”, metaforizou o médico cirurgião.

Apesar de reconhecer que “a performance do sistema de saúde ainda se mantém boa”, o vice-reitor da Universidade Nova referiu que “o sistema bem precisa de novas soluções”.

“Só mais e melhor investimento não chegará. Há que inovar nos métodos de trabalho e nos modelos de gestão”, defendeu.

José Fragata rejeita que a saúde se resuma a “uma dialética entre público e privado”, entendendo que é “uma visão demasiado míope”.

“Público, privado e social devem trabalhar em rede. O Estado não pode manter um financiamento integral [da saúde], pois não tem fundos para isso”, argumentou.

A quarta reunião da Convenção Nacional de Saúde, estrutura onde estão representadas cerca de 150 entidades ou associações do setor, está a decorrer esta terça-feira em Lisboa.