O Presidente turco acusou esta terça-feira os Estados Unidos de não terem cumprido totalmente o compromisso de retirar as forças curdas do nordeste da Síria, antes de partir para Washington para se reunir com o seu homólogo norte-americano. “Vou dizer ao Presidente (Donald Trump), com provas documentais, que o acordo a que chegámos (na Síria) não foi totalmente respeitado”, disse Recep Tayyip Erdogan, numa conferência de imprensa no aeroporto de Ancara.

Um acordo assinado a 17 de outubro pelo vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, durante uma visita a Ancara, abriu caminho para a suspensão da ofensiva turca lançada a 9 de outubro no nordeste da Síria para expulsar as milícias curdas – nomeadamente as Unidades de Proteção Popular (YPG), aliadas de Washington na luta antijihadista.

Este acordo prevê a retirada das YPG da fronteira turca e o estabelecimento de uma zona de segurança de 32 quilómetros de largura ao longo de uma faixa fronteiriça da Turquia em território sírio.

A Turquia lançou sua operação militar depois de Trump anunciar a retirada das tropas norte-americanas posicionadas na área, o que foi interpretado como um sinal verde concedido a Ancara. O anúncio ocorreu após uma conversa telefónica entre Trump e Erdogan. Fortemente criticado, inclusive no seu próprio campo político, Trump reforçou o tom e implementou sanções contra a Turquia, que foram levantadas depois de Ancara suspender a sua ofensiva na Síria.

Num acordo separado, assinado a 22 de outubro entre Erdogan e seu homólogo russo Vladimir Putin, Moscovo prometeu remover as YPG de outras áreas no nordeste da Síria, em coordenação com Exército sírio e para iniciar patrulhas conjuntas com o exército turco em território sírio. “Infelizmente, até agora não é possível dizer que os grupos terroristas se retiraram da região”, disse Erdogan na conferência de imprensa.

Nem a Rússia nem os Estados Unidos foram capazes de colocar os grupos terroristas dentro do cronograma acordado”, acrescentou.

Erdogan alertou também esta terça-feira os países europeus de que a Turquia poderia libertar todos os prisioneiros do grupo islâmico e enviá-los para a Europa, em resposta às sanções da União Europeia (UE) ao Chipre. Erdogan também disse que a Turquia continuaria a repatriar militantes estrangeiros do Estado Islâmico para os seus países de origem, mesmo que estes países se recusem a levá-los de volta.

As declarações de Erdogan foram uma resposta à revelação da União Europeia, na segunda-feira, de que irá impor sanções à Turquia devido às perfurações não autorizadas de gás nas águas do Mediterrâneo, perto de Chipre. “Vocês devem rever a vossa posição em relação à Turquia, que mantém tantos membros do EI na prisão e controla-os na Síria”, declarou Erdogan.