O Governo italiano declarou esta quinta-feira o estado de emergência em Veneza devido às inundações, anunciou o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, referindo que vão ser disponibilizado 20 milhões de euros para as “intervenções mais urgentes”.

“O Governo aprovou o estado de emergência em Veneza”, disse o primeiro-ministro, numa mensagem divulgada na rede social Twitter. Giuseppe Conte acrescentou que vão ser disponibilizados 20 milhões de euros para as “intervenções mais urgentes, de apoio à cidade e à população”.

O primeiro-ministro passou a noite de quarta-feira em Veneza, onde monumentos, casas e empresas foram atingidos por inundações excecionais, tendo as águas atingido o valor mais elevado desde 1966.

A marca da água atingiu 1,87 metros na terça-feira, o que significa que mais de 85% da cidade foi inundada. O nível mais alto registado até agora foi de 1,98 metros durante as inundações em 1966.

A chuva intensa tem caído desde terça-feira em Itália, afetando em particular as regiões da Sicília, Calábria e Basilicata e Veneza, que se confrontou também com uma ‘acqua alta’ (maré alta) excecional. Em Veneza, a célebre praça de São Marcos está submersa devido também à maré alta excecional, situação que deverá durar até sábado.

O vestíbulo da basílica de São Marcos, joia da cidade, também foi inundado e o seu procurador (autoridade local), Pierpaolo Campostrini, preveniu os turnos de guarda para vigiarem a subida da água.

Segundo Campostrini, uma inundação como a de terça-feira ocorreu apenas cinco vezes na história da basílica — erigida em 828 e reconstruída depois de um incêndio em 1063 -, com o dado mais preocupante de três destas cinco situações terem ocorrido nos últimos 20 anos, com a última a verificar-se em 2018.

Devido às cheias, a edição deste ano da Bienal de Arte de Veneza esteve encerrada na quarta-feira, mas reabriu hoje, disse a organização, acrescentando que, entretanto, mais de 1.300 pessoas já visitaram o certame, nas zonas do Arsenale e Giardini.

Portugal está representado nesta 58.ª edição da Exposição Internacional de Arte Contemporânea de Veneza com a exposição “a seam, a surface, a hinge or a knot” (“uma costura, uma superfície, uma dobradiça ou um nó”, em tradução livre), um projeto da artista Leonor Antunes.