As Nações Unidas estimam que sejam necessários 264 mil milhões de dólares para acabar com a mortalidade materna, conseguir cobertura universal de planeamento familiar e pôr fim à violência de género até 2030.

As contas constam de um estudo conjunto do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA, na sigla em inglês) e da Universidade Johns Hopkins University e foram apresentadas durante a cimeira para assinalar os 25 anos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (ICPD), que termina esta quinta em Nairobi.

Realizada em 1994, no Cairo, foi durante aquela conferência que 179 governos adotaram um programa de ação com vista ao empoderamento das mulheres e raparigas como forma de promover o desenvolvimento das famílias, comunidades e países.

Para acabar com as mortes evitáveis associadas à gravidez e ao parto em 120 países prioritários – que representam 99% da mortalidade materna – seriam necessários investimentos de 115.5 mil milhões de dólares nos próximos 10 anos, segundo os investigadores.

Segundo o estudo, trata-se de um valor equivalente ao custo de 46 dos aviões militares mais caros do mundo.

Os custos para responder as necessidades de planeamento familiar nos mesmos 120 países foi estimado em 68.5 mil milhões e acabar com a violência de género em 132 estados requer gastos de 42 mil milhões de dólares

Eliminar a mutilação genital feminina em 31 países prioritários custaria 2,4 mil milhões e acabar com o casamento infantil 35 mil milhões.

Um dos objetivos da conferência de Nairobi é procurar novas forma e compartilhar boas práticas na luta contra a violência de género para evitar que se repita o número de 47 mil assassínios de mulheres registados em 2017.

Até 2030, 68 milhões raparigas correm o risco de sofrer mutilação genital, a juntar às cerca de 200 milhões que já foram submetidas a esta prática.

Anualmente, 12 milhões de meninas são forçadas a casar antes dos 18 anos, ou seja, a cada minuto há em todo o mundo 23 casamentos infantis.

“Conhecemos os custos. Estes números são uma gota no oceano comparados com os resultados esperados e os fundos disponíveis. O que precisamos a seguir é vontade política e financiamento para conseguir fazer o trabalho”, sustentou Natalia Kanem, diretora executiva do UNFPA.

Deste total, existe atualmente um défice de financiamento de 222 mil milhões de dólares, mas as Nações Unidas sublinham que os custos da inação serão “incalculavelmente maiores”, não apenas em termos financeiros, mas também em vidas perdidas e potencial não concretizado de várias gerações.

O estudo sublinha também as áreas onde os recursos são mais necessários, apontando, por exemplo, que dinheiro investido em educação e saúde pode fazer avançar os três objetivos em simultâneo.

“Um maior investimento em saúde e educação secundária para mulheres poderia representar grande progresso nos objetivos de acabar com mortes maternas evitáveis, responder às necessidades planeamento familiar e violência de género”, disse Christopher Murray, diretor Institute for Health Metrics and Evaluation da universidade de Washington.