A Proteção Civil emitiu alertas amarelos para todos os distritos de Portugal Continental, com exceção para Portalegre e Évora, confirmou o Comando Nacional de Proteção Civil ao Observador. Estes alertas acompanham assim os avisos meteorológicos emitidos esta quinta-feira pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que colocou seis distritos sob aviso vermelho (Porto, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga), quatro em aviso laranja (Lisboa, Setúbal, Beja e Faro) e outros seis avisos amarelos (Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco e Santarém) em Portugal Continental.

Os alertas amarelos da Proteção Civil têm carácter preventivo e servem para redobrar as atenções das autoridades com a aproximação do mau tempo.

A Avenida D. Carlos I, no Porto, vai estar encerrada “por precaução” até sexta-feira de manhã. “O restabelecimento do trânsito deverá ser efetuado logo que as condições do mar o permitam, após reavaliação da situação”, explicou a autarquia à Lusa, acrescentando ainda que “poderá existir a necessidade de implementação de mais condicionamentos — Avenida do Brasil, Avenida de Montevideu e rua Coronel Raúl Peres com desvio para a Rua do Padrão ou Rua do Molhe — a decidir mediante o possível agravamento das condições”, avisou.

Em declarações ao Observador, o CDOS do Porto diz ter registado sete ocorrências relacionadas com meteorologia adversa desde a meia-noite desta quinta-feira até agora. O telhado de uma casa devoluta desabou na Rua do Freixo, no Porto, disse fonte dos Bombeiros Sapadores. A estrutura caiu numa oficina onde estava um casal de idosos que ficou preso, mas não ferido.

Em Viana do Castelo, registaram-se sete quedas de árvores e uma inundação numa cave em Melgaço por causa da chuva forte. No entanto, “são coisas normais nesta época do ano”, sublinhou o CDOS em declarações ao Observador.

As ocorrências mais significativas estão a ser registadas no distrito de Castelo Branco, onde as estradas de acesso à serra da Estrela foram encerradas devido à queda de neve, formação de gelo e vento forte, confirmou ao Observador o Comando Distrital de Operações de Socorro de Castelo Branco. Às nove da manhã estavam encerrados os troços Piornos/Torre, Torre/ Lagoa Comprida, Lagoa Comprida/Loriga e Lagoa Comprida/Sabugueiro, não havendo previsão para a sua reabertura.

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Houve ainda “duas ou três quedas de árvores” que condicionaram temporariamente a circulação, mas essas situações “estão a ser prontamente resolvidas”. São Castelo Branco e Bragança os distritos em que se estão a registar descidas mais acentuadas das temperaturas — algo que o IPMA já tinha antevisto. Prevê-se também vento forte, com rajadas acima dos 100 quilómetros por hora e queda de neve nos pontos mais altos, nas serras do Gerês, Estrela, Montesinho e Marão.

Em Vila Real, as autoridades estão a preparar-se para a queda de neve que “ainda é molhada, não é seca e, por isso, não cola no alcatrão”: “Derrete logo”, descreve o CDOS do distrito. A Proteção Civil registou “queda de neve em algumas zonas, mas nada que tenha causado constrangimentos”, garante o comandante. De resto, os técnicos estão a espalhar sal pela estrada para evitar a acumulação de gelo e neve no alcatrão.

Em Aveiro, onde se registou queda de granizo, a Proteção Civil confirma a queda de algumas árvores à conta do vento, mas “nada significativo”. Essa tem sido, aliás, a descrição feitos pelos Comandos Distrito de Operações de Socorro (CDOS) pelo país fora ao Observador. Numa dessas ocorrências, 11 operacionais apoiados por três veículos foram mobilizados para a Estrada Nacional 3 em Vila Nova da Barquinha. O alerta foi dado às 12h32, mas a situação está controlada. É que “este tipo de ocorrências também acontece noutras alturas, quando não há avisos meteorológicos”, comenta o CDOS de Santarém.

Em Viseu, a Estrada Nacional 221 está cortada no troço Castro Daire-Cinfães desde as 09h30 devido à queda de neve. Em Resende, duas estradas municipais, a 553 e a 553-1, que ligam Felgueiras a Bigorne e São Cipriano a São Cristovão, também estão cortadas para limpeza das vias.

Em Lisboa, o CDOS também diz não ter “ocorrências preocupantes”. Questionado sobre se o encerramento da marginal em Cascais tem alguma relação com o mau tempo — visto que a região pode ser afetada pelas ondas que motivaram os avisos do IPMA —, a Proteção Civil responde que “poderá” ser o caso, embora não confirme a informação. A mesma resposta foi dada pela Câmara Municipal de Cascais à Rádio Observador, que diz “não ter conhecimento” sobre o encerramento da marginal está relacionado com a meteorologia adversa.

O cenário pintado pelos comandos distritais ao telefone com o Observador coincide com aquele que está espelhado na página da Proteção Civil. A “situação operacional” indica 45 ocorrências por todos o país, todas relacionadas com quedas de árvores, limpezas das vias, pequenas inundações e danos em postes de eletricidade. Essas situações estão a ser resolvidas “rapidamente”, descreve o Comando Nacional de Proteção Civil.