O que fazer durante um voo de 19h30, sem escalas pelo meio, ao longo de 17.800 quilómetros? O teste foi feito pela companhia aérea australiana Qantas e envolveu cerca de 50 especialistas, investigadores e passageiros cobaias. A resposta? Ver dois nasceres do sol, fazer alongamentos, agachamentos e caminhadas. E beber um copo de vinho à hora do pequeno-almoço.

O voo experimental, o mais longo de sempre, saiu de Heathrow, em Londres, na madrugada de quinta-feira e aterrou em Sydney, na Austrália, à hora de almoço desta sexta-feira (com um atraso de 45 minutos). Mas foi pensado ao segundo por uma equipa de especialistas. Para tentar reduzir o impacto no corpo humano de uma viagem tão longa, os investigadores coordenaram as atividades do voo com o horário de Sydney. Ou seja, quando o avião descolou de madruga em Londres, a tripulação serviu aos passageiros não o pequeno-almoço mas uma ceia, composta por uma sandes, sopa e um copo de vinho.

Corinne Caillaud, fisióloga da Universidade de Sydney, explicou ao Daily Mail que a composição das refeições e os horários das atividades, assim como os próprios exercícios e a luz foram adaptados e cronometrados ao minuto para “ajudar as pessoas a ajustar-se à mudança horária e reduzir o jetlag”.

Para ajudar a passar o tempo — e, sobretudo, ‘acordar’ o corpo e reduzir o risco de trombose venosa profunda — os fisiólogos orientaram vários treinos de aeróbica, como alongamentos (que consistiam em tocar no teto da cabine), agachamentos e caminhadas na cabine.

Exercícios à parte, houve tempo para apreciar a vista. O primeiro nascer do sol da longa viagem aconteceu pouco após o avião descolar de Londres. As luzes foram desligadas por algumas horas, de forma a simular a noite em Sydney (embora ainda fosse dia na Europa), para que os passageiros pudessem dormir algumas horas. E foi quando o avião sobrevoava a Indonésia que se avistou o segundo nascer do sol. Nessa altura, aos passageiros foi servido um pequeno-almoço picante para ajudar o corpo a ‘acordar’.

Os padrões de sono, os níveis de melatonina (hormona que regula o sono) e a atividade corporal dos passageiros, dos pilotos e assistentes de bordo foram monitorizados durante o voo através de tecnologia wearable. 

O teste faz parte dos planos da Qantas de operar voos comerciais longos, sem escalas, entre a costa este da Austrália até Londres e Nova Iorque. Em outubro, a companhia aérea completou o primeiro voo sem escalas de Nova Iorque até Sydney, e que durou 19h16.