Israel declarou esta sexta-feira que completou uma série de ataques aéreos contra alvos ligados ao grupo Jihad Islâmica em Gaza, após o cessar-fogo estabelecido na quinta-feira entre os dois lados ter sido desrespeitado.

A declaração militar indica que os israelitas podem estar dispostos a cumprir o cessar-fogo se não houver mais ataques dos militantes islâmicos a partir da Faixa de Gaza.

Israel divulgou que atingiu um complexo militar, um local de fabricação de foguetes e uma sede dos militantes na cidade de Khan Younis. Os ataques aéreos ocorreram após os militantes dispararem uma série de foguetes no final do dia de quinta-feira. Não houve relatos imediatos de vítimas de nenhum dos lados.

A situação estava calma pela manhã de sexta-feira, mas a trégua poderá ser testada no final do dia, quando o Hamas, o grupo militante islâmico que governa Gaza, realizar as suas manifestações semanais ao longo da fronteira com Israel.

O cessar-fogo não oficial que começou no início da quinta-feira pôs fim a uma escalada de dois dias desencadeada pelo assassínio por Israel de um comandante da Jihad Islâmica. Os combates já mataram 34 palestinianos, incluindo 16 civis.

Militantes palestinianos dispararam mais de 450 foguetes contra Israel, paralisando grande parte do sul de Israel sem causar mortes ou ferimentos graves. A Jihad Islâmica anunciou, na quinta-feira, o cessar-fogo intermediado pelo Egito.

Israel geralmente não comenta entendimentos informais com grupos militantes e disse apenas que interromperia os ataques enquanto os militantes islâmicos fizessem o mesmo. A trégua irritou muitos partidários da Jihad Islâmica, que realizaram protestos em Gaza.

O disparo de foguetes contra Israel no final da quinta-feira, que Israel disse terem sido intercetados pelas suas defesas antimísseis, pode ter sido uma expressão de descontentamento com a liderança do grupo Jihad Islâmica.

Ao contrário do que aconteceu nas anteriores ondas de violência, o Hamas, mais poderoso, ficou à margem dos recentes confrontos, aderindo aos entendimentos alcançados por mediadores egípcios após as vagas anteriores de confrontos com Israel. Ambos os grupos militantes estão comprometidos com a destruição do país, mas a Jihad Islâmica é vista como mais radical e tem laços mais estreitos com o Irão.

O Hamas deverá realizar esta sexta-feira as habituais manifestações semanais ao longo da fronteira com Gaza.

Os protestos, muitas vezes violentos, foram contidos nas últimas semanas como parte dos entendimentos alcançados através do Egito e não está claro quantos manifestantes sairão hoje para protestar, perante a recente escalada militar.