“Estou aqui há quase três meses, mas não quero essa vida. Porque para mim… eu sou muito nova para estar nessa vida. Eu quero estudar, viver a minha vida, trabalhar.” Sara Furtado, a jovem de 22 anos que abandonou um bebé recém-nascido num ecoponto em Lisboa, foi entrevistada a 11 de setembro para uma reportagem da TVI sobre sem-abrigo quando já estava grávida de sete meses, apesar de a barriga estar pouco saliente. Na altura, a mulher vivia na rua “há quase três meses”.

A jovem explica que antes de viver na rua esteve em “casa de uma colega de escola”, de onde saiu porque “o ambiente era hostil e havia muitas discussões” . “A escola terminou e tive que vir para essa situação. Eu mesma quis sair, porque casa de família é muito complicada”, disse ainda. Sara foi filmada numa cadeira na rua. Não referiu que estava grávida.

Segundo a TVI, os voluntários de um centro de apoio de sem-abrigo confrontaram, na altura, a jovem sobre uma possível gravidez que ela negou e prometeram ficar atentos à situação.

Questionada sobre qual o maior sonho, Sara respondeu: poder “cuidar da mãe” quando esta for “velhinha”.

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o pedido de habeas corpus para a libertação da jovem. O acórdão refere que Sara premeditou o crime: além de ocultar a gravidez, levou um saco de plástico na altura do parte para depositar o recém-nascido e “o material biológico proveniente do parte”, que atirou para um ecoponto. Horas mais tarde, voltou a passar pelo local onde deixou o bebé, chegou a visualizar o  filho, “mas nada disse com medo que o companheiro se apercebesse e insistiu com este para que se fossem embora, o que acabou por acontecer”.

Sara Furtado está em prisão preventiva por suspeitas de homicídio qualificado. O bebé permanece na Maternidade Alfredo da Costa.

Advogada pedirá que mãe cumpra prisão domiciliária

Segundo o jornal Público, a advogada que vai representar a mulher de 22 anos, Maria Lopes, admite que “se encontrar um local que aceite acolher a mulher, uma vez que ela vive na rua, e se isso for legalmente possível, poderá vir a solicitar o cumprimento da medida de coação em prisão domiciliária“.

De acordo com o mesmo jornal, a advogada ainda não teve acesso aos autos e relembrou que estão ainda a ser feitas as averiguações necessárias para se perceber o que de facto aconteceu.