Uma troca de mensagens, entre Carles Puigdemont e Víctor Terradellas — uma das pessoas que integra o círculo mais próximo do ex-presidente da Catalunha — em outubro de 2017, revelada no âmbito de uma investigação a um juiz de Barcelona sobre uma alegada fraude nas subvenções da Catalunha, mostra que o então presidente da Generalitat temia os efeitos da declaração unilateral de independência.

A 26 de outubro, pouco tempo depois do referendo pela independência, Puigdemont recebeu uma mensagem de Terradellas que lamentava o facto de o Puigdemont não ter “sequer ouvido” os argumentos, numa altura em que o mais certo era que Carles Puigdemont convocasse eleições, escreve o El País.

“Já não tinha qualquer margem e o cenário era devastador para Catalunha. Lamento, sei que não é fácil nem agradável de aceitar, mas não tinha qualquer convicção que íamos avançar”, respondeu Puidgemont.

“Garantiram-nos a declaração esta tarde, Gorbachov. Dinheiro da China. Pedimos-te que te apresses, às cinco chega o emissário de Putin. Estamos na porta do palácio. Deves receber-nos, vais receber-nos. Atrasa-os e dá-nos algum tempo”, insistiu Terradellas, numa referência aos supostos apoios externos que a declaração unilateral de independência teve.

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Depois de inicialmente marcar para as 13h30, Puigdemont adiou o encontro por três vezes acabando por surgir já depois das 17horas, não para convocar eleições, mas para anunciar que o parlamento catalão se ia reunir no dia seguinte. Ao que tudo indica, o agora ex-presidente catalão terá mudado de ideias depois das pressões que sofreu dos independentistas que o acusavam de “traição”.

“O [artigo] 155 que será hoje aprovado pelo Senado está aplicado fora da lei e de forma abusiva”, disse Puigdemont justificando a decisão, numa referência à sessão que decorria na câmara alta, e que aprovou a intervenção na autonomia catalã.