A Alemanha pediu esta segunda-feira ao Governo iraniano que respeite as manifestações “legítimas” contra a subida do preço dos combustíveis, enquanto a França defendeu a liberdade de expressão e o direito a fazer manifestações pacíficas.

Os dois países admitiram estar a acompanhar os protestos no Irão “com preocupação”, mas consideraram que a liberdade de expressão e o direito das pessoas a manifestarem-se têm de ser respeitados.

O Irão, que vive uma grave crise económica, anunciou na sexta-feira o aumento do preço da gasolina em pelo menos 50% para reformar o sistema de subvenção dos combustíveis e lutar contra o contrabando.

O anúncio deu início a uma onda de protestos, que já afetou pelo menos 25 cidades no Irão, e que rapidamente escalou para a violência, provocando a morte de duas pessoas.

“Estamos a acompanhar com preocupação os acontecimentos no país”, disse esta segunda-feira a porta-voz do Governo alemão, Ulrike Demmer, adiantando considerar que os protestos são “legítimos”. “Apelamos ao Governo de Teerão para que respeite a liberdade de reunião e de expressão”, acrescentou.

“O povo iraniano deve poder exprimir o seu descontentamento face à situação política e económica, [deve poder] exprimir as suas opiniões livre e pacificamente”, defendeu a porta-voz alemã.

Também a porta-voz do Ministério francês dos Negócios Estrangeiros, Agnès Von Der Mühll, anunciou que a França “está a seguir com atenção as manifestações em várias cidades do Irão” e lamentou “a morte de vários manifestantes nos últimos dias”.

O Governo francês sublinhou ainda “o direito das pessoas a manifestarem-se pacificamente” e defendeu “a liberdade de expressão”.

Os Estados Unidos tomaram uma posição semelhante no domingo, tendo o Governo iraniano acusado segunda-feira a Casa Branca de ingerência nos assuntos internos do país. “Os Estados Unidos apoiam os iranianos nas suas manifestações pacíficas contra o regime que os deveria liderar”, afirmou no domingo Stephanie Grisham, porta-voz do executivo norte-americano, em comunicado. “Condenamos o uso de força contra os manifestantes”, acrescentou, denunciando os excessos de um regime que “abandonou o seu povo”.

A posição norte-americana foi reforçada com uma mensagem divulgada pelo secretário de Estado Mike Pompeo, garantindo que os Estados Unidos “estão com o povo iraniano”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Teerão considerou que a mensagem representa “uma declaração de apoio a um grupo de desordeiros” e condenou as “observações intervencionistas e hipócritas” norte-americanas.

O conflito entre o Irão e os Estados Unidos tem subido de tom no último ano, na sequência da retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano alcançado em 2015 e da imposição de novas e mais pesadas sanções contra Teerão.