Um bebé de nove meses morreu de desidratação severa no campo de migrantes de Moria, em Lesbos, na Grécia. A notícia foi confirmada pela organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) no último sábado. A criança de origem congolesa tinha sido levada a um médico legista, mas acabou por falecer a 10 de novembro a caminho do hospital de Mytilene, para onde seria transferida de emergência.

Por aguardar estão os resultados da autópsia, para confirmar as circunstâncias da morte. Ao Observador, Apostolos Veizis, diretor de operações da MSF Grécia, defende que este caso está relacionado com “a ausência de condições mínimas de vida” para os habitantes do campo de Moria.

No Twitter, os Médicos Sem Fronteiras afirmam que “há crianças a morrer por causa das horríveis condições e da falta de cuidados médicos adequados” no campo de Moria e que existem cerca de cinco mil menores a viver no centro de receção de migrantes da ilha de Lesbos.

Outras Organizações Não Governamentais (ONG) têm chamado à atenção para o problema. O centro tem cerca de 15 mil habitantes — quase cinco vezes mais do que capacidade máxima. Moria é um dos maiores e mais degradados campos de acolhimento de migrantes de todo o continente europeu. Em situação ainda pior está o campo de Samos, também na Grécia, que tem cerca de sete mil migrantes, quando foi concebido para ter pouco mais de 600.

Tanto a MSF como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) recordam ao Observador que os migrantes em Moria chegam a fazer fila durante a noite para conseguirem uma consulta com os dois únicos médicos no campo. Se a situação é difícil para os adultos, torna-se mais complicada para as crianças.

Num comunicado lançado a 14 de outubro, o ACNUR  sublinhou que só este ano chegaram por mar cerca de 13 mil menores à Grécia. Mais de dois mil não estavam acompanhados por um adulto. Só em Moria, pelo menos mil crianças estão sem um responsável direto e expostas ao que o ACNUR caracterizou como “extremas condições de risco”.

No campo, a chamada “Zona Segura” — uma área exclusiva para acolher menores não acompanhados — está também sobrelotada, ocupada com o dobro da sua capacidade total. Existe para evitar que as crianças estejam expostas a eventuais abusos por parte de adultos e para que tenham alguma supervisão.

Este é o quarto incidente com menores em Moria noticiado pela imprensa internacional nos últimos três meses. Em agosto, um jovem afegão de 15 anos morreu no meio de confrontos entre habitantes sírios e afegãos no campo. Nas semanas que se seguiram, uma outra criança de nove anos foi atropelada por um camião e a 29 de setembro um incêndio levou à destruição de oito contentores e à morte de uma mulher e de outra criança.