Os créditos milionários da Ongoing (de Nuno Vasconcellos) e da Prebuild (de João Gama Leão) foram retirados de um lote de “calotes” do Novo Banco que o banco vendeu a um fundo norte-americano, o Davidson Kempner. A notícia é avançada pelo jornal Eco, que acrescenta, sem especificar fontes, que também os créditos da Sogema (de Moniz da Maia) ficaram de fora, uma informação que o Observador ainda não confirmou. O Fundo de Resolução exigiu que fossem retirados alguns créditos problemáticos, como os já citados, do leque de ativos que vão ser vendidos, com a justificação de que o preço era demasiado baixo.

Em causa estão créditos ruinosos que somam várias centenas de milhões de euros, se olharmos para a exposição original que o banco teve às empresas — mas que hoje valem uma fração desses valores. A confirmar-se a informação, estes são créditos que, no caso da Sogema, valiam 550 milhões de euros, da Ongoing 350 milhões (mais 240 milhões em papel comercial) e Prebuild 252 milhões. O mesmo Fundo de Resolução, que mantém uma posição de 25% no capital do Novo Banco e tem direito de veto sobre a venda de ativos, exigiu, também, que fosse retirado do perímetro do pacote de créditos (batizado como Nata II) dos créditos do Grupo Tiner (169 milhões), do Grupo Tricos (82 milhões) e do Fundo de Investimento Tavira (nove milhões).

Ao Eco, o Fundo de Resolução disse que se determinou que aqueles créditos fossem excluídos da carteira em venda por se “entender que o preço oferecido não era aquele que oferecia as melhores perspetivas de maximização do valor”. Segundo o jornal, a Davidson Kempner oferecia menos de 20 milhões por estes ativos tóxicos que, somados, tinham um valor original superior a 1.500 milhões, mas que estão registados no balanço do banco a um valor muito reduzido.

Relativamente a esses casos, o Fundo de Resolução solicitou ao Novo Banco a apresentação de uma estratégia de recuperação mais condizente com o objetivo de maximização do valor”, diz o Fundo de Resolução.

O Novo Banco anunciou na sexta-feira ter recebido autorização do Fundo de Resolução para venda da carteira de créditos Nata II, permitindo-lhe descer “pela primeira vez na sua história” o rácio de crédito malparado abaixo dos 15%.

“A concretização da operação Nata II permite que, pela primeira vez na sua história, o rácio de NPL [‘non performing loans’ ou crédito malparado] do Novo Banco possa descer para menos de 15%”, refere a instituição em comunicado.