O encontro das novas estrelas

Dois Opel Corsa de nova geração encontram-se num parque de estacionamento e aproveitam a ocasião para uma inesperada troca de impressões e elogios.

Era um parque de estacionamento indistinguível de tantos outros: linhas brancas pintadas a direito no asfalto e, progresso oblige, postos de carregamento rápido para automóveis elétricos. Num deles, uma vistosa viatura cor de laranja carregava a sua bateria de 50kWh refrigerada por líquido e com garantia de oito anos — 2921 dias, mais bissexto, menos bissexto. Era um Opel Corsa dos novos, não há que escondê-lo.

Os passantes observavam e comentavam, sem poupar nos elogios, o seu design apelativo que já pouco remonta ao do Corsa primordial, nascido em 1982. Talvez atraído por esse cenário propício ao levantar do ego, surgia nesse preciso momento em cena um segundo Opel Corsa, também ele de sexta geração.

Aproximava-se lenta e curiosamente, como se estivesse, de certa forma, a reconhecer-se ao espelho. Parou a cerca de um palmo de distância do seu modelo-irmão: frente a frente, tête-à-tête, grelha a grelha. Os elogios, claro está, duplicaram.

À primeira vista, só os separava a cor: neste segundo caso, um vermelho absoluto, vivo, brilhante. Um olhar mais atento, porém, captava outra diferença, subtil na estética, fulcral na essência: ao contrário do seu semelhante, este novo Corsa movia-se a combustíveis fósseis. Talvez a diesel, quiçá a gasolina. Se era Edition, Elegance ou GS Line, se era 1.2, 1.5 com 75, 100 ou 130 cavalos — as motorizações disponíveis — ninguém sabe, porque ninguém perguntou.

Até aqui, nada de especialmente invulgar: os automóveis cruzam-se a toda a hora, em diferentes locais, a diferentes velocidades. Os mesmos modelos, modelos rivais, nas mesmas cores ou em cores desiguais. Já o que sucedeu em seguida talvez apanhe desprevenidos certos leitores leigos em matéria de comunicação automobilística — poucos sabem mas os automóveis também comunicam entre si, nem que seja um bom dia, boa tarde como vizinhos educados, num idioma que é só seu e que os meros humanos, condutores e passageiros, jamais compreenderão.

Sorriram e cumprimentaram-se.


Corsa: Posso chegar-me perto ou apanho choque?

Corsa-E: Nada temas, irmão, este carregamento é 100% seguro.

Corsa: Bem sei, estava só a meter a primeira, a piscar-te o LED, a quebrar o gelo. Uma carga completa dá para quantos quilómetros?

Corsa-E: Segundo o protocolo WLTP — sabes que tenho de dizer isto, não é? —  uma carga completa aguenta 330 quilómetros.

Corsa: Nada mau. Dá para ir de Lisboa ao Porto.

Corsa-E: Sim, e com um desvio na Bairrada para comer leitão.

Corsa (sorri): Mas e se for caso de uma viagem maior, é rápido a carregar?

Corsa-E: Nestes postos de carga rápida basta meia hora para ficar com 80% da carga. Mas também me adapto às tomadas domésticas e aos postos de parede.

Corsa: Que moderninho.

Corsa-E: E isso não é nada: de série trago sistemas de assistência à condução: reconhecimento de sinais de trânsito, alerta de cansaço, alerta de colisão iminente, travagem automática de emergência, alerta de ângulo morto, estacionamento automático…

Corsa (interrompendo-o): Calma contigo, também tenho tudo isso. De opção, é certo. Mas tenho.

Corsa-E: Eu sei, eu sei. Mas quando me entusiasmo é difícil parar.

Corsa: E o que dizes da nossa nova carroçaria?

Corsa-E: Para mim é a primeira, não conheço outra…

Corsa: Esqueço-me que és novidade absoluta.

Corsa-E: Sou, ainda nem fui lançado oficialmente. Só chego ao mercado na Primavera do próximo ano. Estou aqui em missão de promoção.

Corsa: Então deixa-me que te ajude a promover-nos: estamos mais leves e mais aerodinâmicos, com um centro de gravidade mais baixo. E eu, pela minha parte, estou mais eficiente, com menos emissões de CO2.

Corsa-E (provocador): CO2, o que é isso?

Corsa: Engraçadinho.

Corsa-E: Olha, já estou com a carga completa. Vamos embora?

Corsa: Para onde?

Corsa-E: Para o concessionário, está a chegar a semana de portas abertas.

Corsa: É verdade! De 21 a 30 de novembro, não é?

Corsa-E: Nem mais. Anda daí. Mas devagar que vou em modo Eco.

A semana de portas abertas acontece nos concessionários Opel de 21 a 30 de novembro. O Opel Corsa de sexta geração está disponível a partir de 15,510 euros (1.2 Edition 75 CV). Os modelos elétricos estão em pré-reserva e chegarão ao mercado na primavera de 2020.

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