Ser voluntário significa, dizem-nos os dicionários, “fazer algo sem interesse”. Contudo, na Gooders, o objetivo é ajudar “as ONG (organizações não governamentais) a atrair mais voluntários” oferecendo moedas virtuais, como explicou ao Observador Fábio Procópio, presidente executivo do projeto. No Brasil, desde 2018, a ideia já juntou “200 mil utilizadores”. Agora, arranca oficialmente  em Portugal.

A Gooders define-se como um “marketplace social”. Os utilizadores podem decidir ajudar projetos sociais e, depois, as “horas de voluntariado” são revertidas em pontos, ou moeda digitais, que podem ser trocadas por benefícios no site. “Os pontos é como um programa de milhas. Quando troca e colhe o benefício das marcas nós somos remunerados pela marca em parte da compra. Com isso, levamos a reputação para a marca”, explica Procópio.

Por cada dez minutos de voluntariado recebe-se um gooder, ou seja, uma hora equivale a 6 gooders. Mas a moeda assume diferentes valores para cada parceiro. Neste momento a Dott, por exemplo, está a oferecer 5 euros de desconto no shopping online porquês por cada 10 gooders. Já no caso da ProdTo, cada 5 gooders valem 5 euros de desconto”, explica a startup em comunicado.

Para já, com o arranque em Portugal, a Gooders começa com 400 ações de voluntariado. O objetivo do projeto é, desta forma, ser também uma montra de ações sociais para facilitar quem quer dedicar o seu tempo a voluntariado a encontrar programas. Para financiar o projeto a startup brasileira conta com o dinheiro que arrecada dos patrocinadores. No total já faturou um milhão e 800 mil reais (386.102 euros).

A Gooders, aqui no Brasil, já tinha uma agência de marketing e acrescentava muitas ações sociais ao projetos que criava. Mas esta modelo não dava visibilidade às marcas. As ONG também se queixavam da falta de dinheiro. No meio disto, veio a ideia de criar o dinheiro do bem. Aí, entendi que podia ser um programa de pontos e as pessoas seriam protagonistas e as marcas ganhavam visibilidade”, conta Fábio Procópio sobre como teve a ideia.

O fundador afirma sem rodeios que esta é uma empresa como muitas outras. Ou seja, com fins lucrativos. A diferença, é que criou uma plataforma que pode ter retorno social com o tal “dinheiro do bem”. Procópio confirma a ideia de a empresa ser uma “Uber para o voluntariado”. Contudo, diz que quer escalar em projetos sociais e que não tem intenção de criar uma criptomoeda com o sistema que criou. “Só usamos encriptação para segurança”, promete.

Para aderir às plataformas, as ONG têm de passar por um processo de triagem e não podem ter “cunho político”, explica ainda Fábio. Em Portugal, no processo de triagem, como conta o líder da startup, a Gooders conta com a instituição Entrajuda para ajudar “no modelo de seleção”. Desta forma, a Gooders afirma garantir que só tem na plataforma instituições de cariz social com projetos válidos. “Procuramos empresas que que de uma certa maneira já tenham investimento sociais”, explica ainda Procópio.

Nós não defendemos nenhuma causa. Não tomamos partidos. Fazemos com que as pessoas tenham acesso à ONG. (…) Não podemos fechar as portas para ninguém. Obviamente que alguns assuntos, como religião para fazer igrejas evangélicas, não pudemos tomar esse tipo de partido. Se forem ações válidas aceites pela lei, permitimos”, conta ainda Fábio Procópio.

Sediada em São Paulo desde 2018 (ano da sua criação), a Gooders expande para Portugal inicialmente com uma equipa de três pessoas, com o português Pedro Borges na liderança no país. “A nossa ideia é que Portugal seja o nosso hub principal para a Europa”, explica Procópio. Além disso, a escolha de Portugal também está ligada à Web Summit, onde a empresa esteve presente em 2017 como startup Alpha e chegou a ser distinguida. “Vejo Portugal com um carinho muito grande, a Web Summit valeu a pena”, afirma o empreendedor.