De início, era notória a dificuldade da Tesla em cumprir as datas previstas para a introdução de veículos no mercado. Pouco habituado a produzir automóveis em grande quantidade, o fabricante norte-americano queimou muitos prazos, alguns de forma bastante evidente.

Os atrasos mais significativos foram registados com o Model 3, veículo que representou uma grande mudança na produção, pois dos 100.000 veículos por ano, divididos por dois modelos (Model S e X), a Tesla passou a operar uma máquina desenhada para fabricar 300.000 unidades/ano apenas do Model 3. Foram cometidos erros na concepção da linha de montagem, na escolha dos robots de soldadura e na demasiado criativa relação dos fornecedores com a linha de montagem, que tardaram em ser revistos.

Depois de ter construído 120.000 veículos em 2017, a Tesla incrementou a sua fabricação para 350.000 unidades em 2018 e tudo indica que vai continuar a crescer em 2019. Mas se os americanos pagaram inicialmente o preço da inexperiência, tudo indica que a Porsche vai pelo mesmo caminho – o dos atrasos na produção do seu primeiro modelo 100% eléctrico.

Apesar de pretender fabricar apenas 20.000 unidades do Taycan num ano completo, um valor muito inferior ao que a Tesla fabrica dos Model S e Model X, o construtor alemão do Grupo VW deparou-se com as dificuldades específicas da produção de automóveis eléctricos. E admite que a entrega dos novos veículos, agendada para começar em Janeiro, será atrasada entre 8 e 10 semanas. Pelo menos para já.

A informação foi tornada pública pelo grupo do Facebook Porsche Taycan Group, que se baseou aparentemente num email enviado pela própria Porsche a um comprador norueguês, que encomendou o Taycan e esperava recebê-lo em Janeiro. Num misto de pedido de desculpa e justificação para o atraso, a Porsche informou o cliente que “o Taycan é o nosso primeiro desportivo eléctrico” e que “foi desenvolvido de raiz e fabricado numa nova fábrica, com todos os empregados a esforçarem-se ao máximo para respeitar o mês de Janeiro como a data agendada para a entrega das primeiras unidades”.

Mas o construtor alemão admite de seguida que “devido à enorme complexidade envolvendo a produção do Taycan, as datas de entrega estão algo atrasadas, entre 8 a 10 semanas”, ou seja, entre dois meses e dois meses e meio. A Porsche termina a avançar que será o concessionário local a informar este norueguês sobre a nova data em que será possível entregar-lhe o Taycan.