Começa por dizer que não se quer envolver na disputa pela liderança do CDS uma vez que não é congressista nem militante, mas admite que apoiaria a candidatura de Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, se este lho pedisse. “Identifico-me com muito do que é dito por Francisco Rodrigues dos Santos, é inquestionável”, afirma Manuel Monteiro em entrevista ao jornal Público, afastando qualquer ambição de voltar a liderar o CDS no futuro próximo. Isso, contudo, não o impede de querer ter uma palavra a dizer no futuro do partido, do qual se desfiliou em 2003 em divergência com Paulo Portas mas para o qual quer “o mais possível” regressar.

Na mesma entrevista, Manuel Monteiro defende que o CDS não pode ter “medo” de redefinir as suas bandeiras — propõe mesmo uma revisão constitucional e a criação de um parlamento bicameral — e acredita que estão reunidas as condições para que o “pensamento conservador triunfe em Portugal”.

“Creio que estão hoje reunidas todas as condições para que o pensamento conservador triunfe em Portugal, cresça e se afirme, e gostaria de dar o meu contributo nessa afirmação. Tenho condições para o fazer, apoiando quem se candidate a presidente do CDS (…) Penso que um discurso conservador, dentro das regras democráticas, defensor dos valores humanistas, tem todo o caminho para progredir”, afirma em entrevista aquele jornal, onde também defende que, depois de ter feito uma reaproximação ao partido, há mais de um ano, ao ter participado na campanha autárquica de Assunção Cristas, estão reunidas as condições para que o CDS aceite dar seguimento ao seu pedido de refiliação. Esse pedido, contudo, ficou na gaveta na sequência da anunciada não recandidatura de Assunção Cristas, ficando pendente para apreciação pela futura liderança.

Defendendo que o “portismo não sobrevive sem Portas”, Manuel Monteiro afirma que o CDS tem de ter a “ousadia” de “pôr em causa os alicerces do sistema”, sem pôr em causa o próprio regime. Como é que isso se faz? Por exemplo através de uma reforma do sistema político sem mexer no sistema eleitoral, que pode passar, no seu entender, pela criação de um sistema parlamentar bicameral com representação das regiões (sem com isso defender a regionalização). Ou através da libertação do Estado dos “lobbies que o dominam”, ou ainda pela ideia de um novo contrato de cidadania, para que cada cidadão que paga impostos perceba em que é que o seu dinheiro é gasto exatamente. “Essa transparência implicaria uma mudança total do funcionamento dos próprios serviços”, defende.