A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) até concorda com as previsões do Governo para o crescimento deste ano (1,9%), mas é mais pessimista para 2020, prevendo agora uma subida de 1,8% do PIB. O ministro das Finanças, nas previsões que enviou para Bruxelas em outubro, no âmbito do esboço orçamental, tinha apontado para 2,0%.

As previsões da OCDE são, no entanto, ligeiramente menos pessimistas do que as do FMI (1,6%) e da Comissão Europeia (1,7%).

Para 2021, tal como Bruxelas, a OCDE baixa ainda mais as previsões, avançando agora com um crescimento de 1,7% para Portugal.

A maior divergência entre OCDE e o Governo para o próximo ano diz respeito ao investimento. A organização internacional ainda acredita que este ano as empresas e o Estado vão investir em conjunto mais 6,9% do que no ano passado (Centeno prevê 8,2%), porque “a absorção de fundos estruturais vai segurar o investimento”, mas no próximo ano espera um forte abrandamento, para 1,2%, que compara com os 5% do Governo.

Para a OCDE, a economia “manteve-se dinâmica no primeiro semestre do ano”, com o consumo privado a beneficiar de “um mercado de trabalho rígido que fez subir de forma modesta os salários” e de uma “inflação fraca”. A procura interna “também foi aumentada por um forte investimento empresarial”.

A entidade liderada pelo economista mexicano José Ángel Gurría espera uma subida no consumo privado de 2,1% este ano e de 2,2% em 2020 — ambas em linha com o cenário do ministro das Finanças —, mas a melhoria será mais lenta em em 2021 (1,7%). O consumo “vai abrandar devido a um menor crescimento dos salários”, de acordo com a OCDE.

A OCDE nota ainda que “o crescimento das exportações teve um ligeiro abrandamento e a confiança da indústria deteriorou-se na segunda parte do ano, refletindo crescentes incertezas sobre condições externas e tensões comerciais”. No entanto, “os indicadores de confiança para serviços, consumidores e construção estabilizaram, indicando alguma resistência face aos desenvolvimentos externos negativos”.

A organização antecipa agora um aumento de 2,7% para as exportações, face aos 2,9% do Governo, “sustentado por ganhos de competitividade, apesar das condições externas desafiantes”, mas a maior diferença, uma vez mais, é registada no próximo ano: a OCDE espera subida mais lenta, de 1,1%, enquanto o Governo espera uma aceleração, de 3,9%.

No entanto, como também espera um abrandamento para as importações no próximo ano, o balanço entre o que Portugal comprou e vendeu ao exterior (-0,9% em 2019 e -0,2% em 2020) é muito semelhante às previsões de Mário Centeno (1% em 2019 e -0,2% em 2020).

Para a economia mundial, a OCDE prevê agora no próximo ano o mesmo crescimento deste ano — 2,9%, em vez dos 3% previstos em setembro —, num contexto de guerra comercial, Brexit e outras incertezas. A organização pede medidas urgentes aos governos mundiais para dar um estímulo às respetivas economias. O crescimento pode até “ser mais baixo se os riscos negativos se materializarem ou interagirem”.

A Zona Euro deverá ter um crescimento de 1,2% este ano, abrandando ligeiramente para 1,1% em 2020. Já os EUA deverão crescer 2,3% este ano, podendo abrandar para 2,0% no ano seguinte. E a China deverá ter já uma melhoria no PIB de 6,2%, seguida de 5,7%.

OCDE acredita nas previsões do Governo para as contas públicas

A organização internacional, que estuda políticas económicas em países desenvolvidos, acredita, tal como Bruxelas, nas previsões de Mário Centeno para o saldo orçamental — em cenário de políticas invariantes, pré-orçamento. Está em causa um défice de 0,1% este ano e um saldo nulo em 2020. A OCDE acrescenta também a previsão de um ligeiro excedente orçamental, de 0,1%, em 2021.

Apesar de observar estes valores como “adequados”, a OCDE sugere uma vez mais que Portugal implemente “políticas estruturais que possam ajudar a melhorar a produtividade ainda mais”. Propõe ainda “um ambiente regulatório mais simplificado, uma concorrência no mercado de bens mais forte” e uma melhoria das competências.

Com as contas públicas a melhorarem, a OCDE antevê que a dívida pública continue a descer. Na metodologia que interessa a Bruxelas, com critérios de Maastricht, a OCDE prevê que a dívida desça de forma progressiva até 2021 — 119,3% do PIB este ano, 117,1% em 2020 e 114,3% no ano seguinte.

Para o desemprego, a organização internacional prevê também que “desça ligeiramente” ao longo deste período, com uma taxa de 6,5% este ano, 6,4% em 2020 e 6,3% em 2021.