O secretário-geral da Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) desafiou esta quinta-feira, em Lisboa, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) a ser seu membro associado, numa conferência sobre língua portuguesa e espanhola.

Em declarações à Lusa, à margem da Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola, organizada pela OEI e que decorre até sexta-feira em Lisboa, o secretário-geral da organização, Mariano Jabonero, reforçou que a entidade que lidera “está aberta” à participação da CPLP como membro associado, mas frisou que isso “depende da vontade” daquela comunidade.

A OEI é a única organização internacional que já é observadora associada da CPLP, juntando-se a uma lista de 19 países com o mesmo estatuto. “A OEI é membro associado da CPLP, porque os países africanos falantes de português já eram membros associados da OIE”, explicou Mariano Jabonero à margem da conferência.

Mas mesmo que a CPLP não apresente já o pedido para se tornar membro associado da OIE, as duas organizações poderão trabalhar de forma ainda mais estreita nos próximos tempos, defendeu. Mariano Jabonero adiantou que se reuniu há dias com os embaixadores de países lusófonos em África para abordar “uma agenda de trabalho compartilhada”.

Quanto à promoção da língua portuguesa no espaço lusófono, Mariano Jabonero disse que a partir da conferência que está a decorrer em Lisboa, a OIE e o IILP — Instituto Internacional da Língua Portuguesa, organismo da CPLP, terão uma relação mais próxima, indicou Mariano Jabonero. Jabonero afirmou que há uma estratégia da OIE de ter “um outro tipo de relação com eles (IILP)”, não adiantando qual.

O estado das línguas espanhola e portuguesa, bem como a sua promoção, estão a ser debatidos entre esta quinta-feira e sexta-feira em Lisboa, na primeira “Conferência Internacional de Línguas Portuguesa e Espanhola”. O evento, cujo lema é “Ibero-América: uma comunidade, duas línguas pluricêntricas”, reúne durante dois dias cerca de 40 oradores de países da região, cientistas, académicos, políticos, empresários e artistas, como a escritora brasileira.

O objetivo do evento é ver como ambas as línguas são e como o bilinguismo pode ser reforçado, bem como continuar o caminho da internacionalização do espanhol e do português “em benefício de suas comunidades de falantes que, juntas representam 800 milhões de pessoas”, destacaram os seus organizadores.

A partir desta conferência espera-se que seja elaborado um “Plano de Ação para a internacionalização das duas línguas” que será entregue aos Estados membros da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), que promoveu o encontro, que poderá ter novas edições, segundo propuseram alguns dos seus oradores no primeiro dia de debate.

Os governos de Espanha, Portugal e Brasil foram os apoiantes deste encontro, estando presentes na abertura o secretário de Estado da Educação e Formação Profissional de Espanha, Alejandro Tiana Ferrer, e o ministro da Educação de Portugal, Tiago Brandão Rodrigues.

Haverá ainda representantes do Instituto Cervantes e do Instituto Camões, bem como especialistas da Universidade Complutense de Madrid, da Universidade de Salamanca, da Universidade Pedagógica de Maputo e da Universidade de Lisboa, entre outros centros.