A polícia dispersou esta quinta-feira com gás lacrimogéneo uma marcha, com os caixões das vítimas mortais que ocorreram numa operação militar e policial, que estava a chegar a La Paz, com os manifestantes a chamarem “assassinos” à força de segurança.

A manifestação de milhares de pessoas partiu da cidade vizinha de El Alto e seguiu até a praça central de São Francisco, com as urnas dos oito civis mortos durante a operação da última terça-feira.

As pessoas pararam numa avenida próxima à praça quando a polícia boliviana começou a lançar latas de gás lacrimogéneo, com os manifestantes a dispersarem-se pelas ruas adjacentes. Vários dos participantes declararam que se sentiram “mal tratados” depois de terem “pacificamente” desenvolvido o seu protesto para denunciar a intervenção militar e policial de terça-feira.

Os oito civis que morreram foram atingidos por armas de fogo, cujos autores estão a ser investigados, segundo a Defensoria do Povo da Bolívia. O governo provisório da Bolívia salienta que os disparos mortais não foram efetuados pelos militares.

Os confrontos aconteceram na terça-feira, a 50 quilómetros de La Paz, quando as autoridades bolivianas tentaram reabrir o acesso à refinaria de Senkata, bloqueada por apoiantes de Evo Morales.

A Bolívia enfrenta uma grave crise política desde as eleições presidenciais, em 20 de outubro. Com a renúncia de Evo Morales, os seus apoiantes têm-se manifestado diariamente nas ruas de La Paz e em algumas províncias para exigir a saída da Presidente interina, Jeanine Áñez, acusada de dar luz verde a repressão policial violenta que, segundo a Defensoria do Povo, provocou pelo menos 32 mortos e 775 feridos desde 20 de outubro.

A Presidente interina da Bolívia enviou na quarta-feira um projeto de lei ao parlamento para a realização de eleições presidenciais e legislativas. A Constituição boliviana estabelece que um Presidente interino tem 90 dias para organizar uma eleição.