A Colômbia é esta quinta-feira palco de um protesto nacional convocado por sindicatos e movimentos sociais, que levou as autoridades a adotarem várias medidas preventivas, designadamente o encerramento das fronteiras.

O objetivo do Governo é assegurar a manutenção da ordem pública, explicou segunda-feira a ministra do Interior. Numa reunião com a imprensa estrangeira, Nancy Gutiérrez adiantou que o Governo respeita o direito ao protesto, convocado por sindicatos e movimentos sociais como uma “greve nacional”, mas está muito atento à situação desde que começou “a encontrar mensagens nas redes sociais a apelar à violência”.

Entre as medidas preventivas figura a possibilidade de presidentes de câmaras municipais e governadores, se considerarem necessário, adotarem medidas especiais nas suas jurisdições para manter a ordem pública, como a restrição ao porte de armas ou o toque de recolher obrigatório. “Quando há incitação à violência, as autoridades têm a obrigação de reagir”, disse Gutiérrez acerca das medidas de ordem pública, criticadas por alguns setores, por considerar ser melhor precaver um eventual surto de violência antes que as forças de segurança sejam apanhadas de surpresa, como aconteceu nas últimas manifestações de estudantes universitários em Bogotá e noutras cidades do país.

Gutiérrez recordou que, nos últimos dias, foram expulsos do país pelo menos 15 estrangeiros, principalmente venezuelanos, após os serviços de inteligência terem detetado “que se encontravam em território colombiano a incitar à violência”.

Sobre o encerramento das fronteiras terrestres, “não está definido por quanto tempo”, concluiu a ministra. A Colômbia faz fronteira com Venezuela, Equador, Peru, Brasil e Panamá, mas a fronteira mais longa é com o primeiro deste grupo de países, com 2.219 quilómetros. Os sindicatos que convocaram o protesto disseram que saem às ruas para contestar o “pacote” de reformas do Presidente colombiano, Iván Duque.

Para as organizações sindicais, as reformas pretendem acabar com o fundo estatal de pensões, aumentar a idade da reforma e contratar jovens com ordenados inferiores ao salário mínimo, entre outras medidas que o próprio Presidente afirma não terem sido propostas pelo seu Governo. Outros setores sociais irão aliar-se à mobilização para contestar o acordo de paz do Governo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o assassínio de indígenas e líderes sociais, a corrupção e as privatizações, e alegados incumprimentos dos compromissos do Governo em matéria de recursos para a educação. A ministra Gutiérrez, por seu lado, afirma a existência de “setores da oposição que querem desestabilizar o país e o Governo”.

Num país altamente polarizado a nível político como a Colômbia, as redes sociais estão a ser incendiadas por polémicas entre apoiantes do protesto de quinta-feira e opositores do mesmo.