O quinto debate entre os candidatos democratas à Casa Branca ficou marcado na quarta-feira pela unânime oposição ao presidente norte-americano, o republicano Donald Trump, atualmente alvo de um processo de destituição. “Não podemos ser consumidos por Donald Trump”, advertiu o senador Bernie Sanders, nos primeiros momentos do debate, alertando para o risco de os democratas perderem as eleições no próximo ano.

Horas depois de o embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, Gordon Sondland, ter afirmado no Congresso que pressionou o Governo da Ucrânia a investigar as atividades da família de Joe Biden, por “instruções expressas” de Donald Trump, os candidatos democratas não pouparam críticas ao chefe de Estado. “Temos de estabelecer o princípio de que ninguém vai estar acima da lei”, disse a senadora Elizabeth Warren, considerando já ter visto o suficiente que justifique a destituição de Trump.

Sanders apontou que o presidente norte-americano “não é apenas um mentiroso patológico”, como o “presidente mais corrupto da história do país”, defendendo que “deve ser processado como qualquer outro indivíduo”.

O ex-vice-presidente Joe Biden fez duas promessas caso chegue ao poder: travar a venda de armas à Arábia Saudita e responsabilizar o príncipe herdeiro pelo homicídio do jornalista Jamal Khashoggi. Biden também considerou que a ONU deve condenar a China por manter detidos cerca de um milhão de uigures em centros de doutrinação política em Xinjiang e por não ter cumprido os seus compromissos com Hong Kong.

Por sua vez, a senadora Kamala Harris sublinhou que o embaixador dos Estados Unidos na União Europeia revelou “uma administração corrupta” e exigiu a mesma justiça para todos. “Nós temos um criminoso a morar na Casa Branca. O próprio embaixador Sondland disse-nos que toda a gente está envolvido nisto. Faz disto uma empresa criminosa”, disse a senadora, citada pelo The Guardian. O empresário Andrew Yang, um dos 10 oradores do debate, concorda: “Achamos que o Donald Trump é um problema. Não. É um sintoma, não uma doença”, disse.

Além de Trump, a igualdade de género e racial

O impeahcment de Donald Trump não foi o único tema abordado no debate, realçou o The Guardian. Foi apenas a terceira vez na história norte-americana que a conversa foi moderada por um painel constituído apenas por mulheres — Kristen Welke (NBC News), Ashley Parker (The Washington Post), Rachel Maddow e Andrea Mitchell (ambas da MSNBC). Com quatro moderadoras e quatro candidatas, houve mais mulheres do que homens em palco, um panorama raro em ambiente político.

Além da questão de género suscitada por estas contas, o debate também pendeu para as estratégias que o partido deve usar para conquistar eleitores afro-americanos. Joe Biden disse ter muito apoio da comunidade negra norte-americana, mas escorregou no argumento quando acrescentou que um desses apoios acabou por ser a “única mulher negra afro-americana a ser eleita para o senado”

Joe Biden referia-se a Carol Moseley Braun, que foi de facto a primeira mulher negra afro-americana a ser eleita para o senado e que apoiava o candidato. Mas Carol Moseley Braun já não é a única: “A outra está mesmo aqui”, ripostou Kamala Harris. Biden não tardou a corrigir-se, embora a reação de Kamala Harris, de mãos no ar a rir-se mesmo ao lado do candidato, tenha captado a atenção das redes sociais.