O arquiteto Francis Kéré defendeu na quinta-feira, em Matosinhos, que a arquitetura “precisa de mudar” e ter em consideração as alterações climáticas e escassez de recursos, para que no futuro “não traga problemas”.

“A arquitetura consome imensos recursos, por isso é importante pensar na sustentabilidade. A arquitetura tem de mudar e para isso é importante juntar esforços”, afirmou o arquiteto, pioneiro da abordagem que aplica materiais sustentáveis na arquitetura e design com envolvimento da comunidade.

Em declarações à Lusa, à margem da inauguração da sua exposição na Exponor, em Matosinhos, Francis Kéré salientou que urge a necessidade de a arquitetura “olhar” para as mudanças climáticas e para a escassez de recursos.

A arquitetura precisa de ter em consideração todas as mudanças que estamos a passar, quer mudanças climáticas, mas também de limitação de recursos, para que não traga problemas ambientais”, reforçou.

O arquiteto, que foi “surpreendido” com uma exposição sobre alguns dos seus projetos, adiantou também à Lusa que tenta sempre tornar, cada projeto seu “único”, mas também “útil”.

“Sempre que tenho um projeto tento que seja único, mas que sirva o propósito daquilo que é pensado para o local. É importante saber que o que estou a fazer vai ser útil para alguém ou alguma comunidade”, salientou.

Nativo de Burkina Faso, Francis Kéré é fundador e arquiteto do escritório Kere Architecture, sediado em Berlim, e tem vindo a desenvolver uma arquitetura voltada para a responsabilidade e consciência social, numa abordagem que junta arquitetura e design em compromisso com materiais sustentáveis, e modos de construção singulares.

Na exposição, organizada pela editora AMAG e enquadrada na programação da Concreta, está patente a sua primeira obra construída, a escola primária de Gando, em Burkina Faso, que lhe valeu o Prémio Aga Khan de Arquitetura. Além da escola de Gando, estão também integrados na exposição alguns dos seus projetos no país de origem, tais como a Clínica Cirúrgica (2017-2018) e a Escola Secundária Lycée Schorge (2016).

A mostra, que fica patente ao público até 24 de novembro, é também composta pela maquete e fotografia do pavilhão de reunião Xylem, para o Tippet Rise Art Center (2019), na área norte do Parque Nacional de Yellowstone, em Montana, nos Estados Unidos.

Depois da apresentação da exposição, o arquiteto realizou uma conferência e lançou uma monografia que reúne todos os seus principais trabalhos, numa única publicação.

Kéré recebeu o diploma de arquitetura da Technische Universität em Berlim (2004), tendo aprendido a arte de carpintaria em Burkina Faso. Já na Alemanha adquiriu técnicas de construção inovadoras e uma estética de desenho simplificado.

A nível mundial, o trabalho de Francis Kéré revelou-se em espaços expositivos como o Serpentine Pavilion (2017), em Londres, no Reino Unido, e o Coachella Valley Music and Arts Festival (2018), na Califórnia, nas participações na Bienal de Arquitetura de Veneza (2016 e 2018), e em várias exposições individuais, como no Museu do Instituto de Crédito Oficial, em Madrid (2018), no Museu da Arquitetura de Munique (Architekturmuseum, 2016), na Alemanha, e no Philadelphia Museum of Art, nos Estados Unidos.

O trabalho de Francis Kéré foi ainda selecionado para exposições coletivas dedicadas à arquitetura em África: “Arquitetura, Cultura e Identidade”, no Museu de Arte Moderna do Louisiana (2015), “Pequena Escala, Grande Mudança: Novas Arquiteturas de Compromisso Social”, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (2010), e “Sensing Spaces”, na Royal Academy, em Londres (2014), no Reino Unido.