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José Silvano acredita que Rui Rio ganharia mais “legitimidade” se fosse eleito logo à primeira volta nas diretas de janeiro, onde vai enfrentar pelo menos dois adversários internos: Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz. Em entrevista ao programa Vichyssoise, da Rádio Observador, o secretário-geral do PSD mostrou-se ainda confiante de que, mesmo com o novo sistema de atualização do pagamento de quotas, que cria uma barreira contra o caciquismo, o número de militantes com quotas pagas possa chegar “perto dos 40 mil”.

“Vamos fazer tudo para que isto fique decidido à primeira. Vamos fazer com que as estruturas e as bases adiram o mais possível para se ganhar à primeira volta. Há mais legitimidade para quem está no poder se ganhar logo à primeira volta. Também do ponto de vista dos militantes, se ganharmos à primeira a liderança fica mais consolidada. Fica com mais força. À segunda vale na mesma mas, em termos públicos e internos, não é tão forte”, disse na mesma entrevista, onde admitiu que Luís Montenegro é o “adversário principal”, criticando o facto de o ex-líder parlamentar do PSD se ter assumido desde logo como adversário de Rui Rio no congresso da investidura, numa altura em que Rio “estava a ser eleito e ainda não tinha feito nada”.

O facto de haver uma terceira candidatura, neste caso de Miguel Pinto Luz, que José Silvano diz “conhecer mal”, torna “o resultado final mais difícil”, no sentido em que dispersa os votos e aumenta a probabilidade de empurrar a decisão para uma segunda volta.

Em relação à polémica do pagamento de quotas para os militantes se tornarem aptos a votar nas diretas, José Silvano desdramatiza, afirmando que acredita ser possível, mesmo com a maior rigidez do novo sistema, chegar “perto dos 40 mil” militantes com quotas pagas. É essa a meta. “O PSD tem 212 mil militantes inscritos, mas cada vez que o partido pretende levar aos militantes uma informação, ou comunicar uma decisão, só consegue contactar perto de 40 mil, porque todo o sistema anterior foi feito com base em fichas de militantes que estão completamente atualizadas”, diz, afirmando que, mesmo se fechasse os olhos à questão da “fraude eleitoral, do voto em massa”, havia outro problema de base: “só temos o partido vivo de conseguirmos ter contacto com os militantes”.

E era isso, diz, que não estava a acontecer. Daí a atual direção do partido ter decidido agir no sentido de mudar o sistema. “Tivemos essa coragem”, diz, queixando-se dos obstáculos que encontraram pelo caminho. À crítica de que só agora, nas vésperas das diretas, decidiram mudar o sistema, Silvano rejeita, dizendo que o processo começou no início do mandato de Rui Rio mas esbarrou na falta de vontade das estruturas. “Tivemos duas reuniões com todas as distritais em que entregámos uma lista dos militantes dos seus distritos que não tinham morada ou telemóvel na ficha. Compreensão para isto? Zero”, disse, afirmando que o objetivo é impedir que aconteça o que aconteceu noutras alturas, em que “havia 70 mil militantes inscritos, muitos deles na mesma morada”.

Ou seja, o objetivo é evitar o pagamento de quotas em massa e os militantes fantasma, não podendo no entanto o partido impedir que outras pessoas paguem a quota a determinados militantes. Mas nesse caso, não é tão grave, porque tem de ser o militante a participar nem que seja para dar a referência de pagamento da sua quota a outra pessoa. “Ninguém garante que os militantes de algumas estruturas não vão pedir o voto da mesma forma e pagar a quota da mesma forma, mas já não o pode pagar em massa como antes porque agora damos conta dos pagamentos seguidos nas transferências bancárias”, disse.

Em todo o caso, o secretário-geral do PSD está convicto de que a malha apertada não vai ser tão prejudicial como dizem. “Já começam a pagar uma média de 500 quotas por dia. Nos 30 dias que falta podem ser mais 15 mil quotas pelo menos. O que já daria 35 mil. Mesmo no sistema antigo só votaram 40 mil. Podemos chegar a esse número, não é tão complicado como as pessoas querem fazer crer”, afirmou.

Questionado sobre o facto de o próprio Rui Rio também ter beneficiado das anteriores práticas de caciquismo nas diretas de há dois anos, José Silvano admitiu que qualquer candidato que não seguisse as regras do jogo não tinha hipóteses de ganhar. Por isso seguiu. “O que faltava aqui era mudar as regras do jogo. Porque quem quisesse ser candidato há dois anos, ou há quatro ou há seis, ou participava nesta situação que o partido tinha ou não tinha hipóteses de ganhar o partido”, admitiu. Ou seja, houve más práticas dos dois lados? “Houve”.