Teodora Cardoso, economista e ex-presidente do Conselho das Finanças Públicas, admite que seria possível negociar com Bruxelas aumentos salariais para a Função Pública. Mas não de qualquer maneira: a economista explicou, em entrevista ao Jornal de Negócios/Antena 1, que essa negociação teria de ser feita com base num plano marcado pela “seletividade” e pelo descongelamento das progressões.

A reforma da administração pública “é um problema complicado”, reconhece Teodora Cardoso, e “não é possível resolvê-lo sem aumento de custos”. Mas quando se fala em aumento de custos, “não é para aumentar igual para toda a gente”.

Tem de haver muito mais seletividade, progressão de carreiras, e acabar com a regra de por cada três que saem, entram dois ou 1 – e depois entra o que calha” defende.

Teodora Cardoso diz que “nas carreiras específicas – é o caso dos professores, dos médicos, dos enfermeiros, das forças de segurança – durante muito tempo houve um sistema bastante liberal porque não havia restrições orçamentais. Mas à medida que essas restrições se vão pondo, e as exigências dessas carreiras são cada vez maiores, o problema é repensar tudo isto,” começa por explicar.

Um plano para aumentar a Função Pública, de forma “seletiva” tem de ser “muito bem pensado” e “muito bem justificado” , diz Teodora Cardoso, olhando para o que se passa na educação, na saúde e nas forças de segurança: é preciso rever os vencimentos e as carreiras na função pública, defende.

Relativamente ao próximo Orçamento do Estado, Teodora Cardoso considera que “vai continuar a ser a mesma coisa de sempre” porque a Lei de Enquadramento Orçamental continua a não ser aplicada. A questão é política e se o ministro não fosse Mário Centeno “ainda seria pior”, diz Teodora.