Há 24 concelhos em Portugal com menos de três agências bancárias, sendo que Vila Velha de Ródão e Vila Nova da Barquinha tinham apenas uma agência cada um no final de 2018, segundo dados do Banco de Portugal.

De acordo com os dados que constam das séries longas do setor bancário (1990-2018), divulgadas esta terça-feira, no final de 2018, não existiam concelhos sem agências bancárias. Contudo, existiam dois municípios com apenas uma agência, Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco) e Vila Nova da Barquinha (Santarém).

Vila Velha de Ródão teve duas agências entre 1993 e 2014, sendo que desde 2015 tem apenas uma. Já Vila Nova da Barquinha teve duas agências desde 1990, o início da série, sendo que em 2016 passou a ter apenas um balcão.

Já concelhos com apenas duas agências bancárias são 22, situados sobretudo em regiões do interior de Portugal continental e nos Açores, sendo esses Almodôvar, Barrancos, Cuba, Freixo de Espada à Cinta, Vila de Rei, Góis, Penela, Mourão, Fornos de Algodres, Manteigas, Castanheira de Pera, Alter do Chão, Arronches, Castelo de Vide, Nisa, Chamusca, Constância, Golegã, Sardoal, Corvo, Lajes das Flores e Santa Cruz das Flores.

Há ainda 49 concelhos que, no final de 2018, tinham apenas três balcões. Esses municípios são Alvito, Ferreira do Alentejo, Mértola, Ourique, Vidigueira, Terras de Bouro, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Penamacor, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Vila Nova de Poiares, Alandroal, Portel, Alcoutim, Castro Marim, Monchique, Vila do Bispo, Celorico da Beira, Meda, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, Crato, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Alpiarça, Ferreira do Zêzere, Paredes de Coura, Boticas, Mesão Frio, Murça, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Armamar, Penalva do Castelo, Penedono, São João da Pesqueira, Sernancelhe, Tarouca, Vila Nova de Paiva, Calheta S. Jorge, Vila do Porto, Ponta do Sol, Porto Moniz, Porto Santo, Santa Cruz, Santana.

Em sentido oposto, os concelhos com mais agências bancárias são Lisboa (392), Porto (171) e Sintra (95), acompanhando a dimensão da população e o tecido económico.

O ‘top 10’ dos concelhos com mais balcões é ainda composto por Cascais (74), Oeiras (65), Braga (65), Coimbra (62), Loures (58), Matosinhos (55), Almada (54).

Os bancos têm vindo a reduzir a sua estrutura nos últimos anos, incluindo com o fecho de balcões, justificando com a necessidade de cortar custos, o desenvolvimento da digitalização e o menor recurso dos clientes às agências bancárias.

Nos últimos anos foi polémico o fecho de balcões sobretudo pelo banco público, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), motivando protestos das populações e de autarcas.

Segundo os dados do Banco de Portugal, na última década (2008-2018), foram cerca de duas mil as agências que encerraram.

De acordo com a informação, o número de balcões bancários no território nacional mais do que duplicou na década de 90, passando de menos de 2.000 em 1990 para um valor em torno dos 5.300 em 2000.

Depois de alguma estabilização nos primeiros cinco anos do novo milénio, verificou-se um novo aumento nos anos seguintes, atingindo-se um valor máximo perto de 6.500 em 2010.

Desde então, e em especial a partir de 2013, o número de balcões registou uma grande diminuição, situando-se em 4.054 no final de 2018.

Já em termos relativos face à população, em 2018, o número de agências por milhão de habitantes cifrava-se em 405 em Portugal, acima dos 395 da média da zona euro, segundo o Banco de Portugal.

Margem financeira desceu em 30 anos e comissões já representam 30% da receita dos bancos

O peso da margem financeira nas receitas dos bancos diminuiu nos últimos 30 anos, enquanto aumentou o peso das comissões bancárias, que nos últimos anos já representam cerca de 30% do produto bancário, segundo o Banco de Portugal.

De acordo com contas feitas pela Lusa, a partir dos números das séries longas do Banco de Portugal, em 1990, os rendimentos de serviços e comissões líquidas representavam cerca de 8% do produto bancário (o conjunto das receitas recebidas por uma instituição financeira, incluindo comissões, margem financeira, resultados de operações financeiras, entre outros), valor que foi aumentando e em 2000 as receitas de comissões representavam já quase 20% do produto bancário.

A proporção começou a aproximar-se dos 25% pelo ano de 2008 e em 2013 chegou aos 34% do total do produto bancário.

Com algumas oscilações o valor tem-se mantido desde então em torno dos 30%. Em 2018, essa proporção foi de 32%, ou seja, do total do produto bancário praticamente um terço vem das comissões.

Já a margem financeira (a diferença entre os juros que bancos pagam nos depósitos e os que recebem no crédito), tradicionalmente a principal fonte de receita dos bancos, tem perdido alguma importância, estando em torno dos 60% do produto bancário. Nos anos mais agudos da crise bancária em Portugal chegou a baixar para um valor próximo de 50% (2012-2014).

Segundo o relatório que acompanhou as séries longas, divulgadas na semana passada, “ao longo dos últimos 30 anos assistiu-se a uma diminuição da margem financeira do sistema bancário”, o que o Banco de Portugal atribui à “redução expressiva das taxas de juro e das margens de intermediação financeira”, assim como à redução do tradicional negócio bancário, com “forte desaceleração do crédito”, mas também à concorrência que fez baixar o preço.

Em percentagem do ativo médio, diz o banco central, “a margem financeira passou de cerca de 4,5% em 1990 para valores em torno de 1,5% nos anos mais recentes”.

Essa redução foi compensada pelo aumento de outras receitas, como as comissões.

Contudo, esses aumentos de outras receitas têm sido insuficientes para os bancos, desde 2007 e sobretudo desde 2010, devido aos significativos custos tidos com imparidades e provisões (reservas para perdas com ativos, nomeadamente crédito malparado), o que afetou os resultados, segundo o Banco de Portugal, apesar de melhorias recentes.

As receitas de comissionamento arrecadadas pelos bancos relacionam-se com dois tipos de serviços: serviços mais diretamente relacionados com a banca tradicional (abertura de processos de crédito, aberturas de conta, por exemplo) e serviços relacionados com atividade de mercados financeiros (gestão de investimentos, operações em bolsa, comissões de corretagem, por exemplo).

As comissões cobradas têm sido tema de debate nos últimos anos, sobretudo por alterações polémicas de precários pelos bancos que passaram a cobrar por operações bancárias de rotina, como comissões de manutenção de conta ou transferências de dinheiro, de modo a compensar quedas de receitas noutras rubricas da conta de resultados.

Na sexta-feira, numa conferência sobre banca, o governador do Banco de Portugal disse que os bancos têm de cobrar preços justos pelos serviços que prestam, para que não haja clientes a pagarem um preço abaixo do que deveriam e outros acima para compensar, no que se designa de subsidiação cruzada.

“A conta de exploração de um sistema bancário tem custos que têm de ser cobertos, a questão é se o ‘pricing’ reflete o serviço prestado ou se há subsidiação cruzada com agentes económicos a pagarem mais do que deviam e outros a pagarem menos”, afirmou Carlos Costa, na Money Conference, organizada pelo jornal Dinheiro Vivo e pela rádio TSF em Lisboa.

O aumento das comissões também não foi esquecido no painel que juntou os presidentes dos principais bancos que operam em Portugal.

O presidente do BPI, Pablo Forero, disse que para já não tem planeados aumentos de comissões no banco que lidera, mas afirmou que Portugal está na média do setor bancário, onde as comissões representam 30% do setor bancário.

Já os presidentes do BCP, Miguel Maya, e do Santander Totta, Pedro Castro e almeida, consideraram que as comissões estão relacionadas com o custo mas também com o valor do serviço que o banco presta, como é percecionado pelo cliente.

A intervenção mais animada foi, contudo, do presidente da Caixa Geral de Depósitos, a instituição que tem sido mais criticada pelo aumento das comissões pela sua natureza pública.

Quando questionado sobre os encargos cobrados pela CGD, Paulo Macedo declamou o poema “A nêspera”, de Mário Henrique Leiria, para dizer que o banco que dirige não vai ficar “sossegado, quieto”, “a ver navios”, mas trabalhará para pagar o capital injetado pelo Estado na recapitalização.

“‘Uma nêspera estava na cama/deitada/muito calada/a ver/o que acontecia/chegou a Velha/e disse/olha uma nêspera/e zás comeu-a/é o que acontece/às nêsperas/que ficam deitadas/caladas/a esperar/o que acontece’. A Caixa não será uma nêspera”, afirmou, perante as gargalhadas da plateia.