Cerca de 25 pessoas estão esta terça-feira no Ministério das Infraestruturas e da Habitação para alertar para a eminência de despejos de famílias com crianças na região de Lisboa e dizem que só saem quando tiverem uma resposta do Governo.

Entre elas está Sónia Robalo, que tem de sair de casa na sexta-feira, Helena, despejada do Bairro 6 de Maio, na Amadora, e que se queixa de que a sua casa não é condigna, e ativistas do movimento Habita! — Associação pelo Direito à Habitação e à Cidade.

Cerca das 11h30, hora e meia depois de se terem juntado no ministério, um grupo de quatro pessoas foi autorizado a subir ao gabinete do ministro, tendo sido recebidas pelo chefe de gabinete da Habitação.

Durante quase duas horas debateram os dois casos que consideram mais urgentes de serem solucionados. “Estivemos a dar conta do caso da Helena e da Sónia e o que nos disseram [chefe de gabinete] é que não podem impedir os despejos e não têm soluções de emergência”, disse à Lusa Maria João da Habita!.

De acordo com a ativista, esta não é a reposta que esperavam e, dado o impasse na reunião para soluções, resolveram ficar no local por tempo indeterminado até que o ministério lhes diga o resultado “dos telefonemas que no final da reunião se comprometeu a fazer”.

Sónia foi um dos casos apresentados. Mora em Moscavide desde 2012 e tem ordem de despejo marcada para sexta-feira. Esta terça-feira foi ao ministério dar conta da sua situação, tendo sido uma das quatro pessoas que subiu ao gabinete. À Lusa explicou que nunca faltou com uma renda, tem contrato, mas o senhorio quer a casa e não o renova. Nem a segurança social diz que a pode ajudar, “só se tiver três mil euros para uma outra casa”.

Não tenho para onde ir com a minha filha. Ela tem 18 anos, mas é doente, tem uma bactéria na coluna e pode ficar paralisada”, contou.

Sónia explicou também ter sido convocada já esta semana para uma reunião com técnicos da câmara municipal de Loures, onde lhe deram duas notícias: “A má era que, de imediato, não podiam resolver o meu caso, e disseram que a boa notícia era de que a autarquia tem agora uma bolsa de habitação, como a que está a ser implementada em Lisboa, na qual vou ser prioritária. Mas eu não quero uma casa daqui a um ano e tal”.

Agora vim para a rua porque não há solução. Não encontro uma casa”, disse, acrescentando que tem a renda do mês de Dezembro já paga.