A BMW é um dos fabricantes de automóveis ao qual é mais fácil associar uma imagem tecnológica, tanto no que diz respeito às mecânicas como aos chassis. Ficam para a história os seus motores a combustão com seis cilindros que animaram os M3, tal como o V10 que em tempos motorizou o M5 ainda hoje cria água na boca dos amantes de berlinas desportivas. Em matéria de motores mais amigos do ambiente, o eléctrico i3 ainda é parente único – com reforços previstos para 2020 –, mas a oferta de soluções híbridas, em que motores eléctricos dão a mão às unidades a gasolina, é cada vez maior, especialmente com recurso a soluções plug-in.

Para beliscar esta boa imagem do construtor alemão surgiu a Paice, que poucos conhecem, mas que parece ser bastante versada em tecnologia híbrida. Fundada pelo engenheiro russo emigrado nos EUA Alex Severinsky, a Paice nasceu para comercializar o trabalho desenvolvido e patenteado pelo seu criador, na área das soluções híbridas com alta voltagem. E foi exactamente esta empresa de Baltimore que resolveu avançar com um processo em tribunal contra a BMW, por utilização indevida das suas patentes.

Afirma a Paice, apoiada pela Abell Fundation, uma instituição sem fins lucrativos igualmente de Baltimore, que em tempos partilhou detalhes pormenorizados sobre a sua tecnologia híbrida plug-in (PHEV) com a BMW, para depois alegadamente verificar que a marca germânica em vez de adquirir a sua tecnologia, recorreu a ela em proveito próprio, segundo afirma o CEO da Paice, Robert Oswald. Os modelos envolvidos na polémica são o Mini Clubman PHEV, i8 Roadster PHEV, 750e xDrive, 530e e 330e, estes últimos na versão iPerformance.

Mas a BMW não é o primeiro construtor alvo dos processos da Paice, pois já anteriormente a Ford, Toyota, Hyundai e Kia foram alvo de tratamento similar e depois de alguma litigação, todas elas acabaram por adquirir os direitos de utilização das patentes de Severinsky, segundo a Automotive News, o que permite concluir que, pelo menos em relação a estes fabricantes, haveria algum fundo de verdade na acusação da Paice.

De acordo com os dados do processo, os primeiros contactos entre a Paice e a BMW tiveram lugar no princípio deste século, quando os alemães ainda se apoiavam muito nos motores diesel e a Paice tentou vender a sua solução para os PHEV como alternativa aos motores a gasóleo. Alega o queixoso que, em 2005, a BMW se envolveu numa aliança com a Mercedes e a General Motors para desenvolver um sistema híbrido, marcas a quem a Paice já teria fornecido modelos informáticos e algoritmos de controlo sobre a tecnologia.

A aliança foi desfeita em 2009, por o sistema híbrido ser demasiado dispendioso. Anos mais tarde a BMW começou a introduzir no mercado veículos equipados com o sistema PHEV com grande sucesso. A marca de Munique optou por não comentar com a Automotive News a actual situação do processo.