A cidade de Lisboa vai juntar-se ao programa “Cities Changing Diabetes”, que tem como objetivo principal travar o aumento da diabetes e contribuir para a redução de novos casos, disse esta quarta-feira o médico José Manuel Boavida.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), José Manuel Boavida, adiantou que Lisboa vai tornar-se a partir de quinta-feira, dia em que vai ser assinado um memorando entre várias entidades, a 9.ª cidade europeia a juntar-se ao programa internacional de parcerias. “Há vários anos que sabemos que um dos maiores fatores de crescimento da doença é a urbanização das populações. Estes fenómenos continuam a ver-se em cidades de África, na Ásia e na América Latina. Cidades que são de alguma foram criadoras de diabetes”, disse.

De acordo com o médico, existem vários fatores que explicam o fenómeno como o sedentarismo, uma vida com maior stress, alimentação não tradicional e a poluição atmosférica. “São fatores que se sabe que conduzem ao aparecimento da diabetes e que ajudam a fazer crescer esta epidemia. Em Portugal, são diagnosticadas 200 pessoas por dia com diabetes”, disse.

O projeto “Cities Changing Diabetes”, criado em 2014, é um programa mundial de parcerias que está presente em 26 cidades (Lisboa é a 26.ª) que pretende reduzir a curva de crescimento da prevalência da diabetes para que até 2045 esta doença não afete mais de 1 em cada 10 pessoas em todo o mundo. “Este movimento internacional diz que é necessário olharmos para a vida das cidades e ver o que podemos modificar nas vidas das cidades para contrariar a progressão da diabetes. Isto através de parcerias com entidades de saúde, autarquias, associações de pessoas com diabetes”, realçou.

Segundo José Manuel Boavida, o que se pretende é identificar as pessoas que estão em risco de ter diabetes. “Para isso vamos fazer rastreios em eventos como feiras, festas ou outros acontecimentos, dar conselhos e promover atividades que ajudem a contrariar a diabetes”, salientou.

Assim, adiantou, na quinta-feira vai ser assinado um Memorando de Entendimento de Cooperação subscrito pela Câmara Municipal de Lisboa, a APDP, a Administração Regional da Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a NOVA Medical School — Faculdade de Ciências Médicas e a Novo Nordisk Portugal.

O acordo prevê que as partes envolvidas desenvolvam, em conjunto, atividades que abordem o desafio da diabetes na cidade de Lisboa. “Para já é a assinatura de um compromisso para tornar Lisboa uma cidade mais amiga das pessoas com diabetes. Para criar condições para que as pessoas andem mais a pé, para combater a poluição e para uma alimentação saudável”, concluiu.

Numa nota, a Câmara Municipal de Lisboa refere que o “projeto representa uma oportunidade para alcançar o seu objetivo de melhorar a vida das pessoas com diabetes e de quem está em risco de desenvolver esta doença que se estima que atinja mais de 10,5% da população da região de Lisboa e Vale do Tejo”.

A Cidade do México foi a primeira a juntar-se em 2014 ao projeto e atualmente 26 cidades de todo o mundo integram esta iniciativa, adotando novas ações na área da promoção da saúde e do planeamento urbano para compreender o desafio da diabetes em cada cidade.