Depois da vitória na Áustria frente ao Red Bull Salzburgo, que colocou a equipa mais próxima da fase seguinte da Liga dos Campeões, o Nápoles de Carlo Ancelotti entrou numa lei de Murphy onde os resultados e jogos seguidos sem ganhar foram quase uma gota pequena no oceano de problemas que se foram acumulando dentro e fora de campo. Agora, mais de um mês e seis jogos depois, a formação transalpina não mais tinha conseguido vencer, somando cinco empates e uma derrota entre Serie A e Champions. E com os jogadores visados, claro.

Depois da “rebelião” do plantel contra a imposição do presidente do clube, o excêntrico produtor cinematográfico Aurelio De Laurentiis (que agarrou na equipa em 2004 quando os napolitanos caíram na bancarrota), em fazer um estágio de uma semana para travar os resultados, algo com o qual o próprio treinador não concordou, esta semana está a ser marcada pela chegada das multas aos atletas, num valor total de 2,5 milhões de euros. Antes, os jogadores confrontaram um vice-presidente num treino (Edo De Laurenttis, filho do líder napolitano), falharam a entrada no autocarro para o dito “retiro” que foi criado pelo número 1 do clube, sofreram ameaças por parte de adeptos radicais e, em alguns casos, passaram mesmo a ser protegidos por seguranças privados (com algumas famílias a deixarem de forma momentânea o país ou a cidade por uma questão de prevenção).

As multas entretanto chegaram, variando entre os 5.000 euros a Gaetano e os 374.400 euros a Insigne, principal referência da equipa a par do central Koulibaly (225.000). Tudo aplicado consoante o ordenado, com nomes como Meret (45.000), o português Mário Rui (67.500) ou Milik (93.975) a não fugirem também à onda de punições disciplinares que atravessou o clube. Ainda assim, Carlo Ancelotti, técnico com mais jogos na Champions, garantia antes da visita a Anfield que não havia um cenário preocupante. “O ambiente está bem mais tranquilo do que as pessoas pensam. Não há uma batalha entre o clube e o plantel, não há uma guerra interna. A única coisa que está a faltar é o tal ‘clique’ a partir do qual a equipa voltará a expressar todo o seu potencial. Esse momento mágico pode ter lugar aqui. O Nápoles tem duas bolas de jogo para se qualificar. Normalmente, os grandes tenistas fecham os encontros logo à primeira”, comentou o treinador italiano na antecâmara da partida.

“O maior erro é pensar que o jogo já está ganho. O Nápoles é muito perigoso, o seu futebol é sensacional. Não vence há seis jogos mas o facto de este jogo não ser em Itália pode constituir um motivo de alívio para os jogadores, podem finalmente sentir-se livres para dar asas ao seu futebol. Se há treinador que não precisa dos meus conselhos, esse treinador é Ancelotti”, garantiu Jürgen Klopp, treinador campeão europeu na última época pelo Liverpool que passou ao lado de alguns sinais como o 3-0 nas casas de apostas como o resultado mais previsível.

E foi mesmo isso que acabou por acontecer: o Nápoles apresentou a sua melhor versão coletiva em Anfield, saiu para o intervalo a ganhar por 1-0 com golo de Mertens e, apesar da pressão exercida sobretudo na segunda parte, o máximo que o Liverpool conseguiu foi empatar por Lovren, na sequência de um canto. Contas feitas, o campeão europeu corre o risco de ser eliminado na fase de grupos caso perca o último encontro frente ao Red Bull Salzburgo (que goleou o Genk), ao passo que os italianos dependem apenas de si para avançarem para os oitavos, o que daria para pagar mais uma série de multas que possam cair no correio de De Laurentiis.