Há um Benfica no Campeonato, há um Benfica na Liga dos Campeões. Há um Bruno Lage no Campeonato, há um Bruno Lage na Liga dos Campeões. Se é verdade que a disparidade de resultados dos encarnados entre as duas realidades não é de agora, o treinador que rendeu Rui Vitória no comando da equipa em janeiro também não fugiu a essa quebra de rendimento. O resto, contam os números: se Lage tem um fantástico registo de 85 pontos ganhos em 90 possíveis (28 vitórias, um empate e uma derrota), e se ganhou todos os 14 encontros como forasteiro, na Liga dos Campeões tem quatro em 12 pontos e voltou a falhar a estreia a ganhar como visitante.

“Não acredito em milagres, acredito em trabalho. Foi o que fizemos. Chegámos ao 2-0 com trabalho, não com milagres. A justiça do resultado vale o que vale, poderíamos ter feito outro golo, mas eles também tiveram oportunidades. Não olho para a justiça, nem para milagres. Olho para a forma como trabalhámos”, começou por dizer o treinador na zona de entrevistas rápidas, lamentando o empate consentido nos descontos de um jogo onde o Benfica esteve a ganhar por 2-0 antes da igualdade que afastou a equipa na Liga dos Campeões.

Mas o que falta então ao Benfica em termos europeus? “Falta apresentarmo-nos sempre como fizemos aqui hoje. Ser consistente nestas situações”, resumiu, antes de falar sobre a aprendizagem como treinador.

“A aprendizagem é constante, a minha e a dos jogadores, mas a mesma cabeça que pensou nas alterações nos onzes das primeiras jornadas foi a que pensou que hoje o Gabriel devia jogar naquela posição. O caminho faz-nos aprender. Numa competição destas é muito importante conquistar pontos e não entregar jogos quando se está a vencer 2-0. É penoso porque perdemos três pontos que estavam garantidos. O treinador irá sempre cometer erros, tal como os jogadores. Isto é um jogo de erro, mas o importante é não ter medo de tomar decisões, de errar, de jogar, de acertar…”, comentou, abordando também as mexidas na equipa inicial em Leipzig.

“A partir do 2-0 devíamos ter tido a capacidade para levar o jogo para o meio-campo adversário. Sabíamos que com 1-0 e a forma como marcámos o segundo golo iam ao encontro disso. O adversário ia procurar mais espaço interior, procurar ter sempre homens abertos e eventualmente podiam deixar o nosso ponta-de-lança numa situação 1×1. O nosso momento de transição tinha de ser este, procurar o avançado, segurar a bola, para depois vir gente de trás para segurar, jogar e levar o jogo para o meio-campo adversário. Na minha opinião foi isso que faltou. A forma como chegámos ao primeiro golo ilustra muito bem aquilo que foi a nossa preparação. Quando chegámos aos 90 minutos sabíamos que íamos ter um longo tempo extra por causa das paragens dos guarda-redes, mas sabíamos que devíamos ter saído com os três pontos”, acrescentaria mais tarde numa análise mais ampla ao jogo.

Desta forma, e num encontro que foi o segundo da história em que o Benfica perdeu uma vantagem de dois golos a partir do minuto 90, os encarnados ficaram pela sétima vez nos últimos dez anos fora da fase seguinte da Liga dos Campeões, precisando agora de uma conjugação de resultados na última jornada (Benfica-Zenit e Lyon-RB Leipzig) para assegurar a passagem à Liga Europa. Caso contrário, é o adeus às competições europeias.