A Unidade de Saúde Familiar de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, está esta quarta-feira encerrada devido à falta de assistentes administrativos, situação que está a motivar críticas dos utentes, constatou a agência Lusa no local.

Os utentes foram surpreendidos logo pela manhã com uma informação afixada na porta, que avisava que as consultas de enfermagem e médicas não podem ser realizadas por faltas de assistentes técnicos.

No local, a agência Lusa constatou a revolta dos utentes quando se depararam com as portas fechadas.

Joana Rodrigues, de Miranda do Corvo, lamentou que o serviço esteja fechado, quando dele precisava “para colocar um penso” na filha de quatro anos que caiu e fez um golpe. “Sou doente oncológica e tenho de evitar idas ao hospital a Coimbra. Isto aconteceu à minha filha, mas podia ser a mim e tinha de ir para Coimbra por uma coisa sem jeito nenhum”, sublinhou. Para Joana Rodrigues, que acabou por recorrer aos serviços de enfermagem de uma prima, Miranda do Corvo precisa de uma unidade de saúde “que trabalhe em condições”.

“Eu vinha buscar medicação que tomo diariamente e agora vou ficar sem medicação ou tenho de ir a Coimbra”, disse Mariana Ferreira, salientando que o atraso se deveu ao facto de os serviços da unidade de saúde terem “perdido as receitas e ter sido necessário voltar a efetuar o pedido”.

A acessibilidade aos cuidados de saúde “tem vindo a degradar-se, privando a população de cuidados imprescindíveis e muitas das vezes inadiáveis e obrigando os utentes a terem de recorrer ao Serviço de Urgência do CHUC [Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, a 30 quilómetros, num trajeto superior a 30 minutos] ou entidades privadas, isto se os utentes tiverem capacidade económica”, frisou à agência Lusa José Taborda, representante do município no Conselho da Comunidade do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte.

A falta de recursos humanos já conduziu a diversas manifestações. Uma vez por falta de médicos, enfermeiros, assistentes operacionais e hoje [quarta-feira] devido à falta de assistentes administrativos, o que levou ao encerramento total do centro de saúde”, salientou.

Para o profissional de enfermagem, os utentes estão “perante uma instabilidade permanente na unidade de saúde, que é péssimo para todos os intervenientes, utentes e profissionais de saúde”. José Taborda disse ainda que esta situação “vai conduzir a um aumento do tempo de espera para uma consulta médica e de enfermagem”.

Numa mensagem partilhada nas redes sociais, o Movimento de Utentes do Centro de Saúde de Miranda do Corvo apela a toda a população que esteja presente na quinta-feira “em massa” na reunião da Assembleia Municipal, a partir das 18h00, “como forma de protesto e pressionar quem de direito”.

Já em outubro, o Movimento de Utentes do Centro de Saúde de Miranda do Corvo denunciou a falta de assistentes operacionais nos serviços em funcionamento no concelho, o que levou à suspensão dos serviços de enfermagem ao domicílio e teve também implicações na limpeza dos espaços. O movimento denunciou também, na altura, a inexistência de telefonista há mais de um ano, provocando muitos constrangimentos aos utentes.