O embaixador dos EUA na União Europeia e uma das testemunhas cujo testemunho mais pode comprometer Donald Trump no processo de impeachment, Gordon Sondland, está a ser acusado por três mulheres de assédio sexual.

Os relatos destas três mulheres foram publicados pelo jornal online ProPublica e remontam aos tempos em que Gordon Sondland era um investidor e empresário concentrado na indústria hoteleira.

As histórias contadas por aquelas três mulheres, cujos nomes foram publicados, decorreram em ambiente profissional, em que estas procuravam investimento financeiro de Gordon Sondland para diferentes tipos de projetos. De acordo com aqueles relatos, o agora embaixador terá retirado a possibilidade de fazer esses investimentos depois de ter entendido que as suas investidas sexuais não eram consentidas e que, por isso, não iriam surtir efeito.

As três histórias são integralmente negadas por Gordon Sondland, cujos advogados reagiram a cada um dos casos para a reportagem da ProPublica. “Estas acusações falsas de contacto e beijos não consentidos são invenções que, acredito, foram coordenadas para propósitos políticos”, disse Sondland, que no seu depoimento no processo de impeachment contradisse a versão de Donald Trump e disse que este utilizou a ajuda militar à Ucrânia como meio de chantagem para obter ganhos eleitorais. “Não têm qualquer fundo de verdade e nego tudo categoricamente”, disse Gordon Sondland sobre os relatos feitos por aquelas três mulheres.

Uma das mulheres em causa é Nicole Vogel, diretora da revista Portland Monthly, para a qual quis captar investimento em 2003 junto de Gordon Sondland. O empresário ter-lhe-á dito que estaria disposto a investir durante um jantar de trabalho. Depois da refeição, Gordon Sondland terá convidado a jornalista para conhecer um dos seus hotéis em Portland, acabando por fazer-lhe uma visita guiada àquele espaço e apresentando-lhe alguns dos funcionários. Foi nesse processo que a convidou para conhecer um dos quartos.

Nicole Vogel conta que aceitou o convite e que, quando já se encaminhava para sair do quarto apresentado, Gordon Sondland lhe disse: “Podes dar-me um abraço antes [de saíres]?”. A jornalista deu-lhe um abraço, mas Gordon Sondland tentou mais do que. “Quando me estava a afastar ele agarrou-me na cara e tentou beijar-me”, conta. A jornalista negou-lhe o beijo e saiu do hotel de seguida.

Numa segunda ocasião, em que Gordon Sondland terá convidado Nicole Vogel para um novo almoço de trabalho (antes do qual lhe pediu um plano financeiro para a revista), a jornalista recorda que o caminho para o restaurante foi feito num carro conduzido pelo empresário, que terá colocado a sua mão em cima da perna daquela mulher durante cerca de 10 minutos. A jornalista diz agora que, à altura,não teve coragem para dizer-lhe que tirasse a mão de cima da sua perna. Depois deste episódio, Gordon Sondland mudou os termos do investimento conforme previsto e, no final, acabou por não contribuir de nenhuma maneira para aquela revista.

Outra mulher, Jana Solis, especialista de segurança na setor hoteleiro, recorda como Gordon Sondland lhe apalpou o rabo depois de ter dito no final de um almoço que a queria contratar para a sua empresa. De seguida, Gordon Sondland pediu a Jana Solis que fosse à sua casa, com o pretexto de avaliar a sua coleção de arte — apesar de não ser essa a sua especialidade. Chegados à casa, Gordon Sondland ausentou-se durante momentos e disse a Jana Solis que o encontrasse na casa da piscina. “Quando cheguei à casa da piscina, ele estava nu da cintura para baixo”, conta aquela mulher. Jana Solis conta que conseguiu sair da casa de Gordon Sondland, que se conformou com aquela rejeição.

Porém, mais tarde, a propósito de uma ação de formação que decorria num dos hotéis de Gordon Sondland, o empresário terá convidado Jana Solis para conhecer uma das penthouses daquele estabelecimento. Ela aceitou o convite, pensando que se tratava de uma ocasião profissional. Porém, ao chegar, percebeu que era o quarto pessoal de Gordon Sondland, que a convidou para uma bebida alcoólica. Jana Solis aceitou a bebida e, em pouco tempo, conta que Gordon Sondland se atirou a ela.

“Pôs-se em cima de mim a beijar-me e a enfiar-me a língua pela garganta abaixo. Nisto tudo, eu estava a tentar sair debaixo dele e quando estava quase a conseguir caí pelas costas do sofá”, recorda. “E disse algo como: ‘Gordon, não sei o que mais posso dizer. Eu quero muito trabalhar consigo, mas não sei se sou capaz. Não sei que problemas é que você tem, mas digo-lhe que eles não se podem tornar meus”. Depois deste episódio, Jana Solis conta como foi alvo de pressão por parte de Gordon Sondland, referindo um telefonema em que este a culpou, de forma agressiva, de questões não diretamente relacionadas com as suas funções na empresa hoteleira. “Ele não conseguiu o que queria comigo e

Uma terceira mulher, Natalie Sept, que é 27 anos mais nova do que Gordon Sondland, também partilhou com a ProPublica um episódio do mesmo género. Natalie Sept, que trabalhava para um político de Portland, Nick Fish, conheceu Gordon Sondland num jantar para angariação de fundos para uma campanha eleitoral.

Depois de conhecê-la, o empresário convidou-a para um pequeno-almoço em que a então jovem ficou com a ideia de que podia confiar nele, tanto por partilharem interesses como por terem ficado a saber que o tio e o padrasto dela tinham trabalhado para Gordon Sondland. Mais tarde, no final de um jantar, o empresário ter-lhe-á feito uma proposta de emprego. Foram de seguida a um bar, onde ele lhe pediu que se sentasse ao seu lado e não à sua frente. Desconfortável com a situação, Natalie Sept tentou pôr fim àquela noite. O empresário insistiu em acompanhá-la até ao seu carro e, na despedida, abraçou-a. “Dei-lhe um abraço rápido e ele segurou-me nos ombros, olhou para mim e puxou-me na direção dele e tentou beijar-me”, recorda.