No final de setembro do ano passado, Aboubakar lesionou-se gravemente em Tondela e desfalcou o FC Porto para o resto da temporada. O avançado foi operado, regressou às opções de Sérgio Conceição e às convocatórias já na reta final da época mas só nos últimos meses conseguiu recuperar o ritmo perdido ao longo de quase um ano fora do mais alto nível de competição. Voltou à equipa, semana a semana, começou a entrar durante os jogos, semana a semana, e a ser chamado não só para compromissos da Taça da Liga e da Taça de Portugal mas também da Primeira Liga e da Liga Europa.

Esta quinta-feira, pela primeira vez desde setembro do ano passado, Aboubakar foi titular pelo FC Porto. Contra o Young Boys, o avançado camaronês foi prejudicado por uma primeira parte pobre dos dragões mas acabou por ser o elemento decisivo na segunda: em cinco minutos, marcou duas vezes e deu a volta a um resultado que atirava o FC Porto para fora da Liga Europa. Aboubakar, que não marcava precisamente desde o mês em que se lesionou, há mais de um ano, celebrou de forma efusiva o regresso à titularidade, o regresso aos golos e o regresso aos momentos de glória com a camisola dos dragões.

Com a vitória na Suíça, o FC Porto ganhou pela primeira vez fora para a Liga Europa esta temporada, marcou pela primeira vez fora para a Liga Europa esta temporada e ainda impôs a primeira derrota caseira da época ao Young Boys. Aboubakar, que deixou então os dragões a dependerem apenas de si para continuarem na competição europeia, garantiu que “foi muito importante conseguir marcar”. “Agradeço aos meus companheiros e ao treinador. Passei um momento muito difícil e foi muito importante conseguir marcar. Foi um jogo de muita emoção, um jogo difícil. Queríamos muito ganhar e tínhamos de dar tudo”, explicou o avançado.

“A vida é assim: ganhar, marcar golos e esquecer todos os momentos difíceis. Tenho de continuar a trabalhar para continuar a ganhar a confiança dos adeptos, do treinador e dos colegas. Tenho muita coisa para fazer”, concluiu o camaronês. Já Sérgio Conceição defendeu que “não foi por acaso que no último jogo”, contra o V. Setúbal para a Taça de Portugal, Aboubakar foi um dos primeiros jogadores a entrar. “Por tudo o que fez na seleção e também porque trabalhamos diariamente e apercebemo-nos do momento do jogador. Dava-nos garantias. Era importante termos uma equipa com peso, não só com capacidade física, mas também experiência nestes jogos da Europa. Teve a ver com isso, com o crescer diariamente e o jogo em si, dependendo da nossa estratégia. Percebo a grande vontade que ele tinha de voltar, de ser titular”, disse o treinador.

“Ganhámos um jogo importante, agora temos um jogo decisivo em casa. Sabíamos as dificuldades, este é um grupo muito equilibrado. Quem vê este tipo de equipas vê que têm um impacto físico no jogo muito grande, com muita velocidade na frente. Nas primeiras bolas, de forma mais direta, também são muito fortes… São equipas chatas, como se costuma dizer. Tínhamos de nos precaver, mudámos uma ou outra situação, querendo na mesma ser uma equipa igual a nós próprios, não abdicar da nossa forma de jogar. Na primeira parte um bocadinho menos é verdade, mas o golo da primeira vez que há um uma boa na área condicionou um bocadinho a equipa. Podíamos ter empatado ainda na primeira parte, não conseguimos”, concluiu Sérgio Conceição.

Vincent Aboubakar não é Vincent Van Gogh mas não borrou a pintura, deixou estrelado o céu do FC Porto e iluminou Sérgio Conceição. E é mais um reforço para os dragões, deixando o setor mais adiantado da equipa com um poder de fogo acima da média entre Aboubakar, Marega e Zé Luís.