A mais recente previsão eleitoral do YouGov aponta para uma maioria absoluta do Partido Conservador e para uma perda generalizada de votos do Partido Trabalhista nas eleições gerais de 12 de dezembro.

A sondagem coloca o Partido Conservador com 359 assentos parlamentares, bem acima dos 326 necessários para uma maioria absoluta e uma subida considerável dos 317 conquistados nas eleições de 2017. Segue-se o Partido Trabalhista com 211 deputados (em queda dos 262 de há dois anos), 43 para o Partido Nacionalista Escocês (subindo dos 35) e 13 para os Liberais Democratas, mais um do que em 2017.

O Partido Trabalhista poderá perder votos em 621 de 649 círculos eleitorais em jogo, além de perder diretamente 44 assentos parlamentares para o Partido Conservador.

São, portanto, razões suficientes para o partido do primeiro-ministro Boris Johnson sorrir e também bastantes para preocupar o de Jeremy Corbyn, que com 211 deputados teria o seu segundo grupo parlamentar mais reduzido do pós-guerra — e perigosamente perto do mais reduzido desse período, que remonta a 1983, quando os trabalhistas sob a liderança de Michael Foot conseguiram apenas 209 deputados.

A previsão eleitoral do YouGov (que não funciona exatamente como uma sondagem tradicional) demonstra que o partido de Jeremy Corbyn pode vir a perder pontos nalguns dos seus maiores bastiões, como é Islington North, onde o seu líder é eleito 1983. Esse será, no entanto, um lugar a reter por parte do Partido Trabalhista. O mesmo já não se pode dizer na maioria dos sítios que até agora eram trabalhistas mas que, no referendo do Brexit, votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

“Nos círculos eleitorais que mais votaram a favor do Brexit em 2018 (60% ou mais a favor da saída da UE), a transferência de votos [dos trabalhistas] para os conservadores está acima dos 6%”, diz o responsável pelo departamento de investigação política do YouGov, Chris Curtis, em declarações recolhidas pelo The Guardian.

“A única boa notícia para o Partido Trabalhista é que ainda há 30 círculos eleitorais onde está a 5% ou menos dos conservadores. Se durante as próximas duas semanas conseguir reduzir essa diferença, talvez consiga tapar algumas das fissuras na dita ‘muralha vermelha’. Mas, com apenas duas semanas até às eleições, o tempo está a esgotar-se para o Labour”, disse Chris Curtis.