Nos últimos 25 anos, os distritos de Portugal continental perderam perto de seis mil bombeiros voluntários, mostra um relatório do Observatório Técnico Independente nomeado pela Assembleia da República e citado esta sexta-feira pelo Correio da Manhã.

De acordo com o documento, em 1995 havia em Portugal continental 35.872 bombeiros — dos quais a esmagadora maioria, 33.179, eram voluntários — , ao passo que atualmente existem 29.883 bombeiros (dos quais 27.529 são voluntários).

Isto significa que a perda de bombeiros se regista quase exclusivamente no setor das associações humanitárias de bombeiros voluntários, que representam a grande maioria dos bombeiros portugueses. Os bombeiros sapadores e municipais (que existem sobretudo nos centros urbanos), que são profissionais, mantiveram-se em torno dos 2.500.

O relatório acrescenta ainda alguns detalhes sobre a distribuição dos bombeiros no território continental do país, deixando um alerta: dos 278 municípios do continente, apenas Castro Marim não tem um corpo de bombeiros. Isto apesar de aquele concelho estar frequentemente sob alerta máximo de incêndio durante o verão.

Liga dos Bombeiros critica relatório: “A montanha pariu um rato”

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), num comunicado assinado pelo presidente, Jaime Marta Soares, já reagiu ao relatório do Observatório Técnico Independente, classificando-o “como um mero repositório e decalque de reivindicações e propostas que há muito os bombeiros vêm apresentando nos diferentes fóruns em que participam”.

“Para a LBP era expectável tratar-se um documento de melhor qualidade, de onde se pudesse tirar conclusões válidas e não um chorrilho de lugares comuns que são ali expressos como se de novidades se tratasse. A LBP lamenta que se empregue tanto dinheiro em estudos como este e que os operacionais continuem a lutar com falta de recursos para efetivamente poderem dar o seu melhor na proteção das populações, dos seus bens e das florestas”, lê-se no comunicado enviado às redações.

Jaime Marta Soares critica ainda “a intenção mal disfarçada” do observatório técnico de se manter no ativo através da “assunção expressa no relatório de que o documento não está fechado e que serão necessários mais estudos para obter conclusões finais”. É a “intenção mal disfarçada da eternização do dito observatório bem identificada com o dito popular ‘gato escondido com rabo de fora'”, afirma Marta Soares, rematando: “E já que estamos a parafrasear ditos populares apetece-nos afirmar que: ‘A montanha pariu um rato'”.