Ao longo da semana, o Manchester City foi um dos temas preponderantes em cima da mesa mas não necessariamente por questões desportivas. O City Football Group, o grupo que controla o clube, chegou a acordo para vender pouco mais de 10% do próprio capital a uma firma de capital de risco, a Silver Lake, num negócio que deixa a equipa de Bernardo Silva e João Cancelo avaliada em cerca de 4,3 mil milhões de euros.

Ora, quer isto dizer que o City Football Group tem nesta altura o valor mais elevado de sempre de um aglomerado de clubes desportivos. Em comparação, o grupo — que além do clube inglês controla ainda o New York City nos Estados Unidos e o Melbourne City na Austrália — vale bem mais do que o Manchester United (avaliado em 2,8 mil milhões de euros) e o triplo do que vale a Juventus, cotada na Bolsa de Milão em 2,35 mil milhões de euros.

Esta junção de números pouco difíceis de contabilizar, mais do que provar que o desporto no geral e o futebol em particular são cada vez mais um alvo de investimento valorizado pelas empresas, deixa claro o poderio financeiro do Manchester City em relação aos principais adversários — não só internos como europeus. Ainda assim, e pelo menos no que diz respeito às competições europeias, o Manchester City tem tido algumas dificuldades em elevar essa superioridade empírica para o panorama prático: mesmo que o faça através das contratações, da capacidade de manter os melhores jogadores no plantel e de ter um dos treinadores mais bem sucedidos da última década.

Essa mesma dificuldade, visível a meio da semana no empate morno em casa com o Shakhtar que acabou por valer o apuramento para os oitavos da Liga dos Campeões, tem estado este ano em foco também na Premier League. Com exibições irregulares desde o início da temporada, o City já perdeu em Anfield e deixou abrir um fosso de nove pontos de distância para o Liverpool. Mais do que isso, e talvez no prisma que mais preocupa clube e adeptos, o Manchester City tem tido vários sustos, entre empates e resultados negativos que acabam por ser invertidos, num cenário que não se verificava nos últimos anos e que é sinal de uma quebra de qualidade exibicional.

Guardiola e uma máquina de “flippers” que deu jackpot para o City sem serem precisas muitas moedas

Ora, este sábado, e depois do tal empate com o Shakhtar, o City deslocava-se ao recinto do Newcastle para tentar arrumar mais uma jornada e pressionar, de certa forma, o Liverpool, que jogava mais tarde em casa com o Brighton. Com Angeliño, João Cancelo, Rodri e Bernardo Silva no banco de suplentes, depois de terem sido titulares na Liga dos Campeões, Mendy, Kyle Walker, David Silva e Mahrez saltavam para o onze. Gabriel Jesus voltava a render Agüero, que vai ficar de fora das opções de Guardiola devido a lesão durante mais algumas semanas.

Ao longo de uma primeira parte em que o Manchester City foi claramente superior mas não conseguiu criar oportunidades que atestassem esse maior controlo, Sterling acabou por inaugurar o marcador depois uma assistência de calcanhar de Silva e chegou aos 15 golos esta temporada em todas as competições (22′). O inglês é mesmo o jogador da Premier League com mais golos em todas as frentes e chegou também ao 50.º golo pelo City desde que Guardiola é treinador do clube. Ainda assim, a vantagem dos citizens estendeu-se apenas por três minutos, já que Jetro Williams empatou pouco depois na sequência de uma assistência de Miguel Almirón, a primeira do paraguaio na Premier League desde que trocou o Atlanta United e os Estados Unidos pelo Newcastle e Inglaterra.

Na segunda parte, o Manchester City voltou a não conseguir materializar o total controlo que exerceu sobre o Newcastle: a equipa de Guardiola rendilhava muito o jogo à volta da grande área e tinha dificuldades em introduzir passes verticais nas costas da defesa adversária, um handicap que acabou por precipitar a entrada de Bernardo Silva para o lugar de Mahrez a 20 minutos do apito final.

A partida, totalmente tombada para a grande área do Newcastle, continuava em formato rolha de garrafa: os magpies estavam posicionados à frente da própria baliza, com os setores juntos e sem permitir espaço entre os blocos. A solução, encontrada de forma quase perfeita por Kevin De Bruyne, estava em atirar de fora de área — e foi assim que o médio belga acabou por conseguir repor a vantagem do Manchester City, com um grande remate que ainda bateu na trave do guarda-redes Dubravka (82′). Quando tudo parecia decidido para o lugar da equipa de Guardiola, o Newcastle voltou a agigantar-se, correu atrás do prejuízo e empatou novamente, também por intermédio de um grande remate de fora de área de Shelvey depois de um canto (88′).

O Manchester City esteve a ganhar duas vezes, perdeu a vantagem duas vezes e pode ficar a 11 pontos do Liverpool em cenário de vitória da equipa de Jürgen Klopp contra o Brighton. Guardiola, Bernardo Silva, João Cancelo e companhia têm os milhões — mas os zeros à direita não estão a transformar-se em bons números nos resultados.