As baterias são as peças mais caras de um automóvel eléctrico, sendo ainda as que mais se deterioram com o passar dos anos (e das recargas), abundando as preocupações e as polémicas em torno da sua longevidade, bem como em relação ao custo da sua substituição. Daí que seja curioso verificar o que aconteceu com uma das poucas unidades no mercado que já percorreu mais de 1 milhão de quilómetros, o que permite ter uma ideia acerca do que os proprietários dos veículos eléctricos a bateria podem esperar.

O modelo em causa é um Tesla Model S P85 produzido em 2013 e adquirido em 2014 pelo alemão Hansjörg Gemmingen como carro de serviço e já com 30.000 km. O hobby deste alemão parece ser conduzir de um lado para outro, pois não utiliza o modelo eléctrico para carsharing ou para qualquer tipo de actividade comercial. O vídeo foi realizado no momento em que o odómetro marcava 999.999 km e se preparava para romper a barreira do milhão de quilómetros, no que deve ser um recorde para veículos alimentados exclusivamente por bateria.

Segundo Hansjörg Gemmingen, o seu P85 é uma versão com apenas um motor e tracção traseira, tendo residido exactamente no motor um dos maiores problemas do carro. O Model S começou a ser produzido em 2012 e, de início, os motores eléctricos das primeiras unidades apresentavam alguns problemas, pelo que a marca foi substituindo-os à medida que ia revelando defeitos, o que aconteceu em quatro ocasiões no caso de Hansjörg, sempre ao abrigo da garantia. Aos 320.000 km montaram-lhe a quarta unidade motriz, que ainda está ao serviço do P85, já com 680.000 km.

Gemmingen menciona ainda problemas com o carregador interno, logo de início, que foi substituído durante o período de garantia. Em relação à bateria, que todos os outros construtores garantem apenas por oito anos ou 160.000 km, acusou um defeito técnico aos 290.000 km. A Tesla analisou-a, tendo-a substituído por outra emprestada, com a qual o condutor percorreu 150.000 km em seis meses. Quando o Model S marcava 440.000 km, a marca montou finalmente uma bateria definitiva, uma unidade recondicionada que ainda hoje move o Tesla, passados 560.000 km. De acordo com o proprietário, recorre na maioria das vezes a recargas em AC, ou seja, com potência entre 7,4 kW e 22 kW, em casa ou nos estabelecimentos em que a Tesla montou postos de destino, recorrendo aos Superchargers apenas entre 10% e 19% das vezes, quando está em viagem.

Além do Model S recordista, Hansjörg Gemmingen possui ainda um Tesla Roadster.