Não foi substituído, também não marcou nem deixou a marca do costume. A receção da Juventus ao Atl. Madrid tinha essa “história” paralela de como seria feita a gestão de Maurizio Sarri depois das duas substituições seguidas frente a Lokomotiv Moscovo e AC Milan antes da paragem para seleções (mais a ausência por opções técnica, com a Atalanta). Ronaldo fez os 90 minutos e, para variar, até estabeleceu um “recorde” mas negativo – desde que chegou a Turim, nunca tinha estado quatro jogos seguidos sem ganhar. Mas a receção ao Sassuolo era diferente.

Como o próprio jogador assumiu após o triunfo de Portugal com o Luxemburgo, Ronaldo sacrificou-se durante algumas partidas pela Juventus e pela Seleção Nacional. Olhando para os números das últimas temporadas, já é normal ver um menor rendimento do avançado entre setembro e novembro, antes de começar a subir até chegar na melhor condição às decisões do Campeonato, da Liga dos Campeões e de um torneio de seleções, entre fevereiro e junho. No entanto, mesmo dentro dessa nuance, a presente época não tem corrido da melhor forma ao serviço da Vecchia Signora (por Portugal, a história foi outra) e, em vésperas da entrega da Bola de Ouro, a dúvida no plano teórico é se entra no pódio dos melhores e não se pode ganhar a sexta distinção (entre Messi e Van Dijk).

“Não sei quem vencerá a Bola de Ouro. Se me perguntarem, espero e desejo que vença Ronaldo. Caso contrário, lamento, porque ele é um jogador de alto nível”, comentou este sábado Maurizio Sarri, entre o destaque a um “caso sério no futuro” chamado Dybala. “Os jogadores que estão habituados a marcar golos estão sempre ansiosos por marcar mais, costumam finalizar facilmente e ficam surpreendidos quando não o conseguem fazer em alguns jogos. O mesmo se passa com Cristiano Ronaldo, tal como com todos os grandes jogadores. Penso que é uma atitude saudável, porque dá-lhe motivação. É evidente que ele não é um jogador como os outros. Não faz sentido colocar todos os jogadores no mesmo patamar”, acrescentou o técnico dos bianconeri.

Tudo à volta de Ronaldo sem esquecer Dybala – que começou o encontro frente ao Sassuolo, uma das “vítimas” preferidas do português na Serie A, no banco. Incluindo Bonucci, o capitão perante a longa ausência de Chiellini, que deu a volta depois da saída por um ano para o AC Milan e voltou a ganhar ascendência no plantel da Juventus. “Conversámos e o importante é saber que, quando alguém não está na melhor forma física, há outros jogadores preparados. [Ronaldo] É mais um jogador que demonstra estar no topo e faz parte do grupo, que deve ser sempre competitivo”, referiu. Deu o exemplo fora de campo, deu o exemplo também no relvado.

Num encontro que não começou da melhor forma para os campeões apesar de um remate falhado de Emre Can que podia ter inaugurado o marcador, o central deixou um primeiro sinal de perigo pelo jogo aéreo e marcou mesmo o 1-0, num raro remate de meia distância sem hipóteses para Turati (20′). No entanto, se é verdade que o Sassuolo mostrava fragilidades na transição defensiva deixando muitas vezes a defesa entregue a si mesma, a história no ataque era outra e, após uma saída rápida, Jeremie Boga fez o empate apenas dois minutos depois concluindo uma boa jogada de envolvimento com o setor recuado dos bianconeri a ver jogar.

Se em termos globais a primeira parte não teve propriamente o ritmo mais alto, a segunda começou a todo o vapor e com surpresa em Turim: Francesco Caputo, num remate fácil mas que Buffon deixou passar para dentro da baliza num dos maiores “frangos” da longa carreira, colocou o Sassuolo na frente logo a abrir (47′) antes de Turati, jovem guarda-redes de apenas 18 anos, fazer aquilo que Buffon costumava fazer com duas defesas fantásticas a remates de Cristiano Ronaldo (de livre direto, aos 49′) e Higuaín (isolado à entrada da área, 50′). Sarri não perdeu tempo e lançou Matuidi e Dybala para os lugares de Emre Can e Bernardeschi, Ronaldo ainda marcou num lance onde partiu em posição irregular (confirmado pelo VAR) e a Juve entrava para a última meia hora a perder.

Ronaldo, num penálti ganho por Dybala, ainda conseguiu fazer o empate mas a manhã era mesmo de desacerto para o conjunto de Sarri, com o português a tirar mesmo de forma inadvertida um remate para golo de Dybala antes de cabecear a rasar o poste no último minuto de descontos. O português voltou aos golos um mês depois mas, após seis triunfos seguidos, a Juventus empatou e pode perder a liderança da Serie A para o Inter.