O secretário de Estado das Finanças da Guiné Equatorial disse esta sexta-feira à Lusa que o Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá, em dezembro, aprovar um pacote de ajuda financeira num valor que ronda os 600 milhões de dólares.

“Dentro do programa financeiro de apoio às economias da África Central, o FMI irá reforçar e apoiar as receitas do Estado, e dentro desse programa de apoio às finanças e despesa pública o FMI vai dar um empréstimo de cerca de 600 milhões de dólares [541 milhões de euros]”, disse Rafael Tung Nsue Bilogo, que é também o conselheiro financeiro do Presidente da República, Teodoro Obiang.

Em declarações à Lusa à margem do “Seminário de Comunicação e Cooperação Financeira Internacional da Iniciativa Faixa e Rota”, que decorre até quarta-feira em Lisboa, Rafael Bilogo explicou que este programa surge na sequência de uma dificuldade financeira de 2016. “Em 2016, as nossas economias da África central, a CEMCA, tiveram uma dificuldade a nível das reservas internacionais, então ficámos de acordo, todos os países, em ter programas bilaterais com o FMI e nesse programa de três anos a principal ideia é reforçar o Orçamento do Estado, e dentro desse programa financeira o FMI vai emprestar uns 600 milhões de dólares”, apontou o governante, salientando que o valor não está ainda finalizado.

As declarações de Rafael Bilogo surgem depois de o ministro das Finanças ter dito que esperava um apoio do FMI na ordem dos 700 milhões de dólares [631 milhões de euros] e de o porta-voz do FMI ter dito, numa conferência de imprensa, que o valor do programa deveria ficar aquém dos 300 milhões de dólares [270 milhões de euros].

Na entrevista à Lusa à margem do encontro de segunda-feira, o conselheiro financeiro de Obiang explicou que este valor é independente das necessidades de 2 mil milhões de dólares para diversificar a economia equatoguineense. “O que falámos é de projetos de investimento, mas o FMI não empresta para investir”, explicou, acrescentando: “Não se pode diversificar com o que receberemos do FMI nos próximos três anos, os programas de diversificação terão de ser mobilizados com outros fundos, que terão de ser de, no mínimo, de 2 mil milhões de dólares, ao longo de vários anos”.

Na intervenção desta manhã, Bilogo tinha salientado as oportunidades de negócio no país, destacando o sistema financeiro: “O reforço do sistema financeiro será importante, em particular porque a taxa de bancarização é menos de 16%, estamos interessados em que instituições financeiras internacionais se estabeleçam lá, onde só há cinco bancos e o nível de depósitos é baixo”.

No discurso, que serviu para apresentar o país aos investidores chineses e portugueses na conferência, Rafael Bilogo vincou, depois de enunciar os principais marcos da história da Guiné Equatorial desde 1470, que “nos últimos 20 anos a evolução económica foi caracterizada pela descoberta do petróleo”, que permitiu ao país “ser o terceiro maior produtor da África subsaariana, a seguir a Angola e Nigéria, e uma melhoria nos dados económicos e o crescimento do PIB, tendo melhorado o clima de negócios”.

A intenção, apontou o governante, é tentar recuperar o défice de infraestruturas que afeta a Guiné Equatorial durante a época colonial, “e se não fosse a cooperação intensa com a China, muitas das infraestruturas não teriam sido feitas”.

A consequência, acrescentou, é que “a dívida externa do país representa cerca de 50% do PIB, 40% da qual é devida a instituições financeiras chinesas, e o Banco da China, que participou em vários projetos, perdoou parte da dívida”, disse, agradecendo este apoio chinês.