A Capital do Natal, o parque temático sazonal que abriu na passada sexta-feira em Algés (Lisboa), prometia um “mundo povoado por elfos mágicos, repleto de histórias encantadas e experiências divertidas” no seu site. A experiência, contudo, parece estar a ser tudo menos mágica para alguns dos visitantes, sobretudo os que percorreram mais quilómetros para ali chegar.

Nas redes sociais, multiplicam-se as críticas à organização do evento e os clientes espanhóis são os mais indignados. Por essa razão, já houve mais de 100 queixas apresentadas à Unión de Consumidores de Extremadura, como confirmou o jornal Público. Há uma petição a circular e até um grupo de Facebook e outro de Whatsapp onde vários espanhóis trocam dicas sobre como obter o dinheiro dos bilhetes de volta. “Senhores e senhoras, não se deixem enganar, nem tudo o que reluz é ouro. Não é tão bonito e maravilhoso como o pintam”, resumiu uma visitante espanhola no Facebook num post onde elenca uma série de críticas como “os altos preços” (30€ por adulto, 25€ por criança), “as longas filas” e “o estado do recinto”.

Imagem de visitante espanhola a queixar-se do evento no Facebook

Em Portugal, apesar de também surgirem críticas nas redes sociais do evento, a indignação ainda não atingiu níveis semelhantes. O Observador contactou a Associação de Defesa do Consumidor (Deco), que confirmou não ter recebido nenhuma queixa: “Até ao momento ainda não recebemos nenhuma reclamação”, disse fonte oficial da empresa que garantiu, porém, que a Deco está a “acompanhar” a situação.

“Filas intermináveis”, “preços vergonhosos”, “recinto enlameado” e um “Pai Natal que não compareceu à festa” são algumas das críticas em concreto que se vão repetindo nas redes sociais. Muitos dos clientes falam inclusivamente em imagens promocionais que não correspondem à realidade.

Uma das imagens que circula nas redes sociais apontando o que os clientes consideram ser o desfasamento entre a promoção e a realidade

Outra das críticas que tem circulado é o facto de existirem renas no parque, que muitos dos visitantes consideram estar em condições inadequadas. “É desumano”, critica uma das visitantes espanholas, que denuncia o caso ao partido animalista espanhol, o PACMA.

O tema chegou a alguns jornais espanhóis como o Diario de Huelva e o Diario de Sevilla. O português Público confirmou junto da Unión de Consumidores de Extremadura que esta associação de defesa dos consumidores recebeu “mais de 100 chamadas” com reclamações de visitantes espanhóis. Concretamente, a Unión já enviou uma reclamação escrita à empresa responsável pelo evento, falando em “publicidade enganosa”.

Em resposta às críticas, a organização reconhece que houve algum desafasamento entre a publicidade feita por alguns “sites e blogues espanhóis” e a realidade. Ao Diário de Notícias, Rui Madureira, um dos responsáveis da Capital do Natal, explica: “Sem terem qualquer autorização nossa e ou sem terem tido contacto com a organização, apanharam notícias de alguns sites portugueses e fizeram a traduções e assumiram que as nossas pistas de snow tubing iam ser pistas de esqui com neve real, algo que nunca esteve previsto.

Isso criou uma falsa expectativa, nomeadamente nos visitantes espanhóis, que são 99 por cento dos que se manifestam nas nossas redes sociais. Essas pessoas têm muita razão, porque vieram com uma expectativa que não se coaduna com a realidade, só que essa expectativa não foi criada por nós”, resumiu o responsável.

Rui Madureira abordou também a questão das renas, sublinhando que estão “licenciadas pelas autoridades competentes” e que a entidade a que pertencem os animais é “idónea e fidedigna”. “Acho estranho alguém dizer que faltam condições só por o animal estar deitado. Não sei se era suposto tê-lo deitado num sofá… O animal cumpre todas as exigências”, sublinhou.