Um minuto, vários focos de atenção no Dragão. Otávio foi tocado na cara num lance na área e o árbitro Tiago Martins mandou seguir. Marcano teve uma entrada mais dura sobre Douglas Tanque e viu cartão amarelo. Dois adeptos invadiram invadiram o relvado quando o jogo estava interrompido. Um, menos lesto, foi intercetado pouco tempo depois pelos seguranças; outro, mais desenvolto (e avesso ao frio, porque estava de tronco nu a desafiar os termómetros na Invicta), quase deu uma volta olímpica que a certa altura mereceu risos e aplausos da bancada. Teve alguns segundos de protagonismo. Como aqueles que Zé Luís também reclamou para si.

Depois de um arranque auspicioso com sete golos nos primeiros oito jogos oficiais realizados pelo FC Porto, Zé Luís, ou Zé do Golo, foi perdendo protagonismo entre as opções de Sérgio Conceição com alguns problemas físicos à mistura. De titular indiscutível a não utilizado ou suplente com alguns minutos, o cabo-verdiano que deixou este verão o Lokomotiv de Moscovo só este mês se começou a fixar na lista dos 18 eleitos. Esta noite, em condições normais, iria para a bancada. Desceu da bancada para o banco depois da saída à última hora de Fábio Silva. Saiu do banco para o campo ainda na primeira parte por lesão de Aboubakar. E acabou por regressar aos golos com um fantástico pontapé de bicicleta após parar o cruzamento de Alex Telles no peito e atirar de primeira.

Ao todo, Zé Luís esteve mais de dois meses sem marcar, num total de oito jogos de jejum (apenas três como titular). E, apesar desse hiato, continua a ser o melhor goleador dos azuis e brancos no Campeonato com sete golos, os mesmos de Carlos Vinícius e apenas a dois do atual líder, o médio do Benfica Pizzi.

“Foi um momento de inspiração, que não tem como explicar, é algo instantâneo. Foi um golo que ajudou a equipa a vencer, só isso. Temos de pensar em ajudar, o golo é bom mas agora é continuar a trabalhar para poder marcar mais”, referiu Zé Luís na zona de entrevistas rápidas da SportTV após o encontro.

“É sempre importante poder marcar cedo para abrir o jogo, para poder praticar melhor o nosso futebol. A reação ao jogo de quinta-feira foi boa, porque esse foi um jogo duro, complicado. Reagimos bem e saímos com mais uma vitória”, prosseguiu, antes de abordar também a relevância do regresso aos golos. “Para os avançados é sempre importante marcar mas mais importante que eu ou qualquer outro marcar é a equipa ganhar. Jogue eu ou outro o que importa é que estamos todos juntos e queremos é ganhar”, acrescentou na flash interview.

Também Sérgio Conceição, que continua o percurso 100% vitorioso nos encontros em casa para o Campeonato e sem sofrer golos, agarrou nas palavras de Zé Luís e de Loum para deixar uma explicação. “Vou confidenciar-vos uma coisa. Foram essas as palavras do Zé Luís agora na roda. Não vale a pena ficar amuado ou triste por ficar no banco. Tristes ficam obviamente mas sem prejudicar. Os jogadores podem estar desiludidos por não estarem a jogar mas estão sempre com os colegas, num espírito muito forte, para podermos ganhar os jogos. Todos são importantes. Vamos ter um ciclo de jogos em dezembro e o grupo é importante. Loum é um caso desses, teve lesões que o apoquentaram, esperou pelo seu momento, trabalhou, é muito focado e quando teve a oportunidade, agarrou-a. Tem muito para crescer, ainda não conseguiu nada, mas é um passo importante no que é a afirmação num clube grande como o FC Porto”, destacou o treinador dos azuis e brancos.