De acordo com o SNE Research, o mercado de baterias para veículos eléctricos deverá crescer cerca de 23% ao ano, estimando-se que dentro de cinco anos, sensivelmente, atinja 167 mil milhões de dólares. Segundo os analistas, esta indústria vai valer em 2025 mais que o mercado global de chips de memória (150 mil milhões). Porém, nem as previsões mais optimistas sossegam os fornecedores de baterias, que disputam o mercado em busca da maior “fatia”.

É precisamente isso que está na origem da contenda que opõe a SK Innovation e a LG Chem, dois fornecedores sul-coreanos de baterias que se processaram mutuamente. A Reuters diz ter tido acesso aos documentos dos processos em tribunal e escreve que a litigância pode colocar em causa não só o fornecimento de baterias à Volkswagen, mas também a outras marcas.

Audi, Jaguar, Hyundai, Kia, Ford, Chevrolet e General Motors podem igualmente vir a ser atingidas por uma guerra motivada pelo contrato de milhões que a SK Innovation firmou com a Volkswagen, para fornecer o hub norte-americano de veículos eléctricos que o construtor alemão terá na fábrica de Chattanooga, no Tennessee, onde a Volkswagen produzirá o seu primeiro SUV a bateria “made in USA”, o ID.4 – modelo que deveremos conhecer dentro de pouco mais de um mês, possivelmente no Salão de Chicago e para o qual se aponta um preço de entrada no mercado norte-americano abaixo de 30 mil dólares, descontando incentivos.

Em 2018, a SK Innovation bateu a sua compatriota e bem maior LG Chem na corrida ao fornecimento de baterias para a Volkswagen nos EUA. Sucede que a derrotada não lidou bem com a perda. Nem do contrato, nem de funcionários – 77 engenheiros saíram da LG para integrar os quadros da SK. Entretanto esta, para honrar o acordo com os alemães, está a erguer uma fábrica de baterias em Commerce, a cerca de 200 km da unidade fabril da Volkswagen, num investimento de 1,7 mil milhões de dólares.

Foi com pompa e circunstância que se iniciou a construção da nova fábrica da SK Innovation nos EUA

Porém, a produção dessa nova fábrica está ameaçada pelo processo movido pela LG Chem. Em Abril, a LG interpôs uma acção contra a SK num tribunal americano por violação de segredos comerciais, o que levou a um processo de sete meses que agora aponta para a violação de patentes. Mais grave do que isso é que os processos judiciais que envolvem os dois fabricantes de baterias visam impedir (mutuamente) a importação e a venda das células para o fabricante alemão.

Se a Volkswagen se arrisca a ser a primeira a sair prejudicada deste diferendo, não lhe cabe o exclusivo na preocupação para a viabilidade dos seus planos eléctricos. De acordo com a Reuters, Chevrolet Bolt, Kia e-Niro, Audi e-tron, Jaguar I-Pace e a futura pick-up eléctrica da Ford também podem ver comprometidas as suas metas de produção por conta desta batalha feudal entre fornecedores de baterias.

A 5 de Junho, a Comissão de Comércio Internacional dos EUA vai tomar uma decisão preliminar e, se esta for favorável à LG, poderá colocar em causa os planos da SKI de fornecer à Volkswagen nos Estados Unidos baterias, sejam elas provenientes da fábrica de Geórgia, cujo arranque de produção está previsto para 2022, ou da Hungria. Isto porque os processos por violação de patentes apresentados pelas empresas nos Estados Unidos significam que, se um ou ambos perderem, dificilmente poderão comercializar produtos nesse mercado que façam uso das patentes em questão.

A SK Innovation assegura, através de um porta-voz, que o cronograma de produção não sofreu quaisquer alterações e reitera que a fábrica de Commerce assegurará as células necessárias para mais de 200 mil veículos eléctricos por ano.