Há dias em que se caça com cão e gato mas a fome não passa (a crónica do Sp. Covilhã-Benfica)

Bruno Lage fez poupanças e só Rúben Dias resistiu mas acabou por lançar Vinícius, Pizzi e Taarabt ainda antes da hora de jogo. No final, empatou com o Sp. Covilhã e não se destacou na Taça da Liga.

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Zivkovic jogou pela primeira vez esta temporada

LUSA

Zivkovic jogou pela primeira vez esta temporada

LUSA

Existem três palavras que esta temporada, para o Benfica, têm estado intrinsecamente ligadas a outras três. Têm pouco a ver umas com as outras, não nos lembramos automaticamente de umas quando pensamos nas outras e a explicação tem de ser feita com recurso ao óbvio e sem grandes curvas no significado mais direto. Falamos de fase de grupos e obrigado a ganhar.

De forma mais evidente e imediata, a ligação entre os dois conjuntos de três palavras tem sido urgente para o Benfica no que toca à Liga dos Campeões. Com exceção para as primeiras duas jornadas da competição europeia, a verdade é que o segundo conjunto começou a aparecer logo depois do primeiro quando as contas se complicaram para os encarnados. Na passada quarta-feira, depois do empate na Alemanha e a ausência da realização do segundo grupo de palavras, a emergência da conexão esvaiu-se. Quem é como quem diz, por palavras mais simples, que o Benfica já não tem hipótese de chegar aos oitavos de final da Liga dos Campeões.

Ficha de jogo

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Sp. Covilhã-Benfica, 1-1

Fase de grupos da Taça da Liga

Complexo Desportivo da Covilhã, na Covilhã

Árbitro: Rui Oliveira (AF Porto)

Sp. Covilhã: Bruno, Gilberto, Zarabi, Brendon, Jaime Simões, Brendon, Jean (Rodrigues, 81′), Adriano, Mica, Bonani (Daniel Martins, 73′), Daffé (Kukula, 86′)

Suplentes não utilizados: Carlos Henriques, Deivison, Ludgério Silva, Rodrigo

Treinador: Ricardo Soares

Benfica: Zlobin, Tomás Tavares. Rúben Dias, Jardel, Nuno Tavares, Gedson, Florentino (Carlos Vinícius, 45′), Samaris (Pizzi, 61′), Zivkovic (Taarabt, 61′), Raúl de Tomás, Jota

Suplentes não utilizados: Svilar, Conti, Grimaldo, Caio

Treinador: Bruno Lage

Golos: Bonani (46′), Jota (82′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Gilberto (11′), Jean (24′), Samaris (45′), Carlos Vinícius (63′), Bruno (74′)

Ora, menos de uma semana depois e já após uma jornada da Primeira Liga ultrapassada com sucesso perante um inofensivo Marítimo, os dois conjuntos de palavras voltavam a surgir no horizonte encarnado. Depois do empate na Luz com o V. Guimarães na primeira jornada, o Benfica visitava o Sp. Covilhã no segundo jogo da fase de grupos da Taça da Liga e estava praticamente obrigado a ganhar. Isto porque, à entrada para o encontro, as quatro equipas do Grupo B estavam empatadas com um ponto cada uma e era necessário não complicar ainda mais a matemática da passagem à fase seguinte. E para que o desempate, caso este se coloque no final das três jornadas, seja ainda mais simples, juntava-se aos dois grupos de três palavras que já conhecemos um terceiro: é aconselhável golear.

Depois de convocar todo o plantel disponível — mas já a saber que não ia poder contar com André Almeida, que saiu tocado do jogo com o Marítimo e está em dúvida para a visita de sexta-feira ao Bessa –, Bruno Lage só resgatou Rúben Dias do onze inicial que goleou os madeirenses na Luz. Zlobin era o eleito para a baliza, Tomás Tavares e Nuno Tavares tomavam conta das laterais da defesa, Jardel fazia companhia a Rúben Dias no eixo, Gedson, Florentino, Samaris estavam no meio-campo e Zivkovic (que ainda nem tinha sido convocado esta temporada) juntava-se a Raúl de Tomás e Jota no ataque. Pela frente estava um Sp. Covilhã que empatou com o V. Setúbal no arranque da Taça da Liga e está em quinto na Segunda Liga.

Com um onze inicial muito jovem — a média de idades ficava pelos 23 anos — e com a maioria dos elementos a pertencerem à formação encarnada, o Benfica precisou de se adaptar à forma como o Sp. Covilhã queria estar no jogo nos minutos iniciais. A equipa de Ricardo Soares não se escondeu no próprio meio-campo e foi à procura de uma surpresa que pudesse desequilibrar as contas da partida, com Adriano a aproveitar um desentendimento entre Zlobin e Rúben Dias para obrigar o guarda-redes russo a uma grande defesa (5′). O conjunto da Segunda Liga foi recuando com o avançar da primeira parte, fruto também do crescimento do Benfica na partida, mas nunca se remeteu totalmente à defesa e manteve sempre Daffé e Adriano, os dois elementos mais adiantados, numa zona de fácil transição ofensiva.

A equipa de Bruno Lage, que tinha em Florentino o médio mais recuado e mais próximo dos centrais, foi subindo no terreno com o passar do tempo mas tinha dificuldades em entrar no último terço adversário, acabando por rendilhar o jogo de forma algo infrutífera. Com Zivkovic na direita e Jota caído no corredor contrário, Raúl de Tomás andava muito isolado na frente de ataque e tinha de baixar vários metros para tentar intrometer-se em zonas mais interiores. Gedson, o elemento mais móvel do meio-campo, era a ligação entre o setor intermédio e o mais adiantado e foi mesmo o melhor do Benfica na primeira parte — beneficiando até da melhor oportunidade dos encarnados, com um cabeceamento à trave depois de um desvio de Rúben Dias na sequência de um livre (12′). Raúl de Tomás também ficou perto de abrir o marcador, com um remate à meia-volta depois de um grande passe de Tomás Tavares (31′), mas o Sp. Covilhã continuava a causar perigo no contra-ataque e a deixar Zlobin em sobressalto, principalmente porque a transição defensiva encarnada estava a ser demasiado macia.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Sp. Covilhã-Benfica:]

Na ida para o intervalo, Bruno Lage já tinha colocado Carlos Vinícius a realizar exercícios de aquecimento e ia pedindo mais velocidade e ritmo à equipa, que parecia estar demasiado em modo Taça da Liga. E bastava uma desatenção para que o Sp. Covilhã se colocasse em vantagem e dificultasse a ligação entre fase de grupos, obrigado a ganhar e é aconselhável golear. O avançado entrou mesmo no arranque da segunda parte, para o lugar de Florentino, mas a desatenção que abriu caminho à vantagem do Sp. Covilhã apareceu ainda antes de Vinícius chegar sequer perto da bola.

No primeiro lance do segundo tempo, enquanto Bruno Lage ainda realizava o percurso por detrás da baliza entre o balneário e o banco de suplentes, Rúben Dias, Jardel e Samaris desentenderam-se entre si e abriram espaço a uma série de ressaltos. Bonani, o elemento que estava a incomodar os jogadores encarnados, aproveitou a auto-estrada nas costas dos três para se isolar na cara de Zlobin e abrir o marcador (46′). O Benfica estava a perder na Covilhã, sem ainda ter usufruído do poder de fogo de Vinícius ao lado de Raúl de Tomás, e tinha agora Samaris mais recuado no meio-campo para compensar a ausência de Florentino.

A estratégia do Sp. Covilhã, a partir do golo, foi um simples agudizar daquilo que era o plano desde o apito inicial: colocar todos os jogadores atrás da linha da bola, os setores compactos e próximos mas com dois elementos, lado a lado, perto do meio-campo para aproveitar um qualquer erro que pudesse abrir espaço a uma transição (acabando por beneficiar de ocasiões para fazer o segundo golo, sempre por intermédio de Adriano). Do outro lado, o objetivo do Benfica era só um — ir asfixiando o Sp. Covilhã, com ataques e investidas constantes e consecutivas, até um remate acabar por entrar. Ainda assim, e com a posse de bola a não ser transformada em reais oportunidades por volta da hora de jogo, Bruno Lage optou por recorrer à cavalaria a esgotar desde logo as alterações, lançando Pizzi e Taarabt para os lugares de Zivkovic (que pouco ou nada fez) e Samaris.

Ricardo Soares fechou os caminhos com a entrada de um quinto defesa, para limitar na largura as subidas de Tomás Tavares e Nuno Tavares, e Taarabt ia sendo o jogador que mais mexia no Benfica, sempre muito móvel nas costas dos dois elementos mais adiantados. O empate acabou por aparecer por intermédio de Jota, já dentro dos últimos dez minutos: o jovem avançado estreou-se a marcar pela equipa principal dos encarnados com um remate de fora de área na sequência de um livre (82′) e ainda ficou perto de bisar e resolver a partida mas acabou por atirar ao lado.

O Benfica empatou na Covilhã e complicou as contas na fase de grupos da Taça da Liga — fica à espera de saber o resultado entre V. Setúbal e V. Guimarães, esta quarta-feira, para perceber a conjugação necessária na última jornada. Certo está um facto: contra os sadinos, no último compromisso desta fase de grupos, será obrigatório ganhar e é aconselhável golear. Algo que falhou com o Sp. Covilhã, mesmo com Bruno Lage a juntar titulares à gestão da equipa logo no início da segunda parte.

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