Na semana passada, a Google despediu quatro trabalhadores por alegadamente violarem políticas de segurança, mas os colegas queixaram-se publicamente de que se tratava de uma tentativa de intimidação da empresa. Nesta terça-feira, os quatro ex-funcionários — Rebecca Rivers, Laurence Berland, Paul Duke e Sophie Waldman — anunciaram que vão apresentar queixa na autoridade americana para as condições de trabalho, a US National Labor Relations Board.

Os ex-trabalhadores alegam que a verdadeira razão pela qual foram demitidos está relacionada com o movimento que está a crescer dentro da empresa e que questiona as decisões que estão a ser tomadas pelos executivos, como a remuneração dos funcionários ou projetos mais controversos que a tecnológica tem em parceria com agências governamentais.

“A Google quer enviar uma mensagem a toda a gente: quem ousar envolver-se numa organização de proteção do trabalho, será punido”, diz o comunicado, citado pela Vox. “Nenhuma empresa — quer seja gigante de tecnologia ou outra — deve poder interferir no direito que os trabalhadores têm de se organizarem para terem melhores condições de trabalho, incluindo práticas comerciais éticas”, acrescentam.

Depois de emitirem este comunicado, a Google reagiu: “Demitimos quatro pessoas envolvidas em violações intencionais e muitas vezes repetidas das nossas políticas de segurança de dados de longa data, incluindo o facto de acederem e disseminarem sistematicamente materiais e trabalho de outros funcionários. Ninguém foi demitido por levantar preocupações ou debater as atividades da empresa”, afirmou um porta-voz da empresa.

Na semana passada, a tecnológica enviou um email à equipa com os motivos que conduziram aos despedimentos: as atitudes alegadamente condenáveis destes colaboradores prendiam-se com o facto de terem acedido aos calendários de outros colegas e partilhado informações sobre o seu paradeiro com pessoas fora da empresa. O email foi enviado em nome da equipa de segurança e investigações da Google.

Depois do email, foram vários os trabalhadores que reagiram. A engenheira de software Amr Gaber publicou um tweet no qual escrevia: “A Google acabou de despedir quatro dos meus colegas por se atreverem a fazer a seguinte pergunta: ‘Está a Google a ajudar a separar famílias ou a deter crianças nas fronteiras? Depois de encontrarem informações abertamente acessíveis, avisaram os colegas sobre estas notícias terríficas. Sim. A Google está a trabalhar com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA”, escreveu, ente outras afirmações. “A Google está a tentar silenciar-nos”.

A tensão dentro da empresa continua a dar sinais de estar a aumentar. Entre as críticas dos trabalhadores da tecnológica (que já levaram a vários protestos) estão questões como acusações de assédio sexual, a relação entre chefias e funcionários e o projeto secreto que a empresa estava a desenvolver para a China (um motor de busca com censura).