Em agosto deste ano o cantor de ópera Plácido Domingo foi acusado de assédio sexual por 9 mulheres. Menos de um mês depois, mais 11 mulheres juntaram-se à lista de acusações inicialmente reportada pela Associated Press (AP). Agora, em entrevista ao El País, o artista de 79 anos afirma que “nunca atacou” uma mulher e que nunca abusou do poder em contexto de trabalho.

Plácido Domingo dá a entrevista numa altura em que regressa a Espanha para mais um concerto — isto depois de se ter demitido da Ópera de Los Angeles, de ter desistido de atuar no espetáculo cultural dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 e de ter cancelado apresentações na Ópera Metropolitana de Nova Iorque. Ao jornal espanhol, diz que as acusações de que é alvo são “uma ofensa” e que “não fazem sentido”. E acrescenta: o que quer mesmo é “parar de falar sobre tudo isto”.

Ao mesmo tempo, Plácido Domingo deixa uma crítica: “Não se pode dizer nada a uma mulher. Aqui não é assim, mas em outras partes e, concretamente, nos grupos de onde surgem as acusações, é assim. A mulher é a coisa mais extraordinária que Deus já criou. Todos viemos de uma, somos filhos de uma mãe. Isso é o melhor que se pode dizer de uma mulher”.

Quase a completar 80 anos de vida, Plácido Domingo assegura que não vai retaliar contra quem o acusa, nem tão pouco pensa em acusar quem aponta o dedo na sua direção. Lembrando que está a decorrer uma investigação da Ópera de Los Angeles, para a qual já deu o respetivo testemunho, reitera que não quer que a situação chegue à barra dos tribunais. “Não é um caso legal, nem quero convertê-lo nisso”, assegura.

Questionado sobre como podem 20 mulheres de distintos lugares dar conta de relatos coincidentes, Plácido Domingo afirma que, hoje em dia, “é muito fácil” espalhar “falsidades” quando não se gosta de alguém e garante que desconhecia que a coordenadora da Ópera de Los Angeles estivesse a evitar colocar jovens a ensaiar na mesma sala que o cantor: “Essa é a maior infâmia de todas!”.

Sempre apoiei a carreira de muitos cantores, tanto mulheres como homens. Isso não é poder, isso é paixão pela arte, pela música, pela ópera e pelo futuro”, diz em entrevista.

Apesar da idade avançada, o cantor de ópera assegura que quer continuar a trabalhar. Porque a sua vida sempre se fez em redor da música. “O entusiasmo é agora maior do que nunca. Quero, inclusivamente, estrear papéis, tal como vou fazer em Salzburgo. (…) O público continua a reagir de maneira extraordinária e, enquanto isso continuar, permanecerei calmo e seguro.”