Agora com sinal reforçado em Lisboa 98.7 FM No Porto 98.4 FM Sociedade / Incêndios Seguir Plano contra fogos vai ter arrendamento compulsivo Novo plano contra fogos prevê um investimento de 554 milhões para reduzir para metade a área ardida até 2030. Matos Fernandes fala numa "intervenção musculada" que passa pelo arrendamento coercivo. Agência Lusa Texto 05 Dez 2019, 21:34 i ▲O Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais é composto por dois documentos, a Estratégia 20-30 e o Programa e Ação. PAULO CUNHA/LUSA ▲O Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais é composto por dois documentos, a Estratégia 20-30 e o Programa e Ação. PAULO CUNHA/LUSA O Governo apresentou esta quinta-feira um plano para reduzir para metade a área ardida nos fogos rurais até 2030, com um investimento previsto de 554 milhões de euros por ano e contemplando a possibilidade de arrendamento coercivo.O plano, apresentado pelos ministros do Ambiente e da Ação Climática e da Administração Interna, tem como um dos objetivos a ação em 20% da área rural do país e os territórios a serem transformados podem ser os que tenham sofrido grandes incêndios, explicou o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, admitindo que possa haver uma “intervenção musculada” em alguns casos, que passa pelo arrendamento coercivo. O arrendamento coercivo “não é contra ninguém”, ressalvou o ministro, dizendo também que é preciso “dar valor ao espaço rural” e que a capacidade de a floresta portuguesa absorver dióxido de carbono tem de crescer 30%. “Habituamo-nos a olhar para a floresta a partir do tronco, mas temos de saber agora olhar a floresta a partir da copa”, onde é absorvido o dióxido de carbono, disse.Matos Fernandes lembrou ainda que 70% do país é território de baixa densidade e que “todos os territórios de baixa densidade têm de viver com mais rendimento” sendo que esse é um dos objetivos do plano apresentado. O plano está em consulta pública durante 60 dias, a partir desta quinta-feira. O Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais (PNGIFR) tem como grandes objetivos gerais a valorização do território, cuidar dos espaços rurais, modificar comportamentos e gerir eficientemente o risco. É composto por dois documentos, a Estratégia 20-30 e o Programa e Ação.O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, lembrou que o trabalho para se chegar a uma nova visão e ação sobre os fogos rurais começou após os grandes incêndios de 2017, com um “número inusitado” de vítimas, e salientou os grandes investimentos financeiros e em meios humanos e materiais para este setor. “Deixou-se de falar da época de incêndios, este é hoje um tema para todo o ano”, disse o ministro, explicando que não havendo fases para incêndios há um “mecanismo flexível que permite uma resposta (aos fogos) imediata”.Matos Fernandes também partiu do 2017 “dramático” para falar, como Eduardo Cabrita já o tinha feito, dos bons resultados em termos de números de incêndios e de área ardida nos dois últimos anos. Em 2018 e 2019 houve uma diminuição de 47% de ignições, face aos 10 anos anteriores (2008/17), e igualmente uma diminuição de 69% de área ardida nos últimos dois anos, comparando com a mesma média 2008/17. Nesse período, houve uma média de 139 incêndios anuais com mais de 100 hectares, que passaram para 40 nos anos 2018 e 2019. Em relação a incêndios anuais com mais de 1.000 hectares na década foram 17 ao todo e nos últimos dos anos aconteceram dois.O balanço de 2018 e especialmente de 2019 sobre fogos rurais também foi feito na conferência de imprensa pelo presidente da Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais (AGIF), Tiago Oliveira, pelo presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Miguel Miranda, pelo tenente-general Soares de Almeida, em representação do Estado-Maior General das Forças Armadas, pelo presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Nuno Banza, e pelo coronel Vitor Caeiro, da GNR, e pelo brigadeiro-general Duarte da Costa, da Proteção Civil.Salientou-se nos balanços a diminuição do número de grandes incêndios e do número de ignições, apesar das condições meteorológicas adversas. Ao longo das intervenções destacou-se a importância da prevenção e sensibilização das populações.Segundo números da GNR, das 10.927 ocorrências deste ano 8.152 foram incêndios florestais e as restantes agrícolas. Das investigações concluiu-se que 3.612 se deveram a negligencia, 3.267 a ação desconhecida, e 1.922 a ação intencional.No PNGIFR assinalam-se fragilidades que precisam de resposta, como as características da propriedade, fragmentada e com insuficiente gestão, e promete-se redimensionar a propriedade rural, aumentar a remuneração dos proprietários com a reforma do modelo de gestão florestal, e disponibilizar incentivos jurídicos e financeiros à valorização dos espaços rurais.Propõe-se ainda rever permissões de regras de construção, rever a área do combustível e aumentar a eficácia da proteção das populações e das habitações. Tudo associado a programas de modificação de comportamentos, com campanhas nas escolas e mobilização de jovens e mobilização de agricultores e pastores, para que haja menos 80% de ignições em dias de elevado risco de incêndio.